A bananeira (Musa spp.) produz um dos frutos mais consumidos no mundo. Os problemas fitossanitários são fatores limitantes para a cultura, especialmente a murcha de Fusarium, causado pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc). Embora medidas de controle sejam utilizadas para proteger a cultura, o desenvolvimento de cultivares resistentes se mostra uma estratégia cada vez mais eficiente para controle desta doença. Diante desse fato, a indução da variação somaclonal, ferramenta da cultura de tecidos, tem potencial para auxiliar no desenvolvimento de genótipos resistentes à murcha de Fusarium, em especial quando o melhoramento genético baseado em hibridações mostra-se limitado, em função da alta esterilidade observada em alguns tipos de banana. Deste modo, o objetivo desse trabalho foi induzir a variação somaclonal nas cultivares de bananeira Grande Naine (Cavendish, AAA), Maçã (Maçã/Silk, AAB) e Prata-Anã (Pomme, AAB), visando à obtenção de genótipos resistentes murcha de Fusarium, raça subtropical 4. Para obtenção das multibrotações, foram utilizados ápices caulinares pré-estabelecidos in vitro e cultivados em meio MS composto de sais e vitaminas, suplementado com 1 mg L-1 de PBZ, 1 mg L-1 de TDZ, 1,6 mg L-1 de ácido indolacético, 80 mg L-1 de hemisulfato de adenina e 30 g L-1 de sacarose, com pH ajustado para 5,8 e solidificado com 2,4 g L-1 de Phytagel®.subcultivados por quatro vezes. O primeiro experimento, associado com o desafio do ácido fusárico (AF), visando pré-seleção de genótipos resistentes, foi constituído por quatro tratamentos com diferentes concentrações de AF: 0,1 mM, 0,2 mM, 0,3 mM, e 0,4 mM; com cinco repetições, sendo cada repetição constituída de uma placa contendo sete multibrotações de cada uma das duas cultivares, em meio de cultura MS suplementado com 2,5 mg L-1 de benzilamina purina (BAP),subcultivadas três vezes e mantidas em sala escura, também foram utilizadas multibrotações sem a adição de AF no experimento de cada cultivar como controle. O segundo experimento foi constituído por cinco repetições, sendo cada repetição constituída por uma placa contendo dez multibrotações das cultivares Grande Naine, Maçã e Prata-Anã e subcultivadas por dez vezes em meio de indução de variação somaclonal. Após a regeneração das plantas, as mesmas foram aclimatizadas durante 60 dias em casa de vegetação, e posteriormente plantadas em caixas de polietileno contendo solo estéril e infestado com o isolado CNPMF 218A, classificado como Foc raça subtropical 4 (Foc ST4); e aos 90 dias foram avaliadas quanto à resistência ao patógeno. Foram selecionados somaclones resistentes, tanto provenientes dos tratamentos com ácido fusárico, quanto do experimento utilizando apenas meio de indução com TDZ e PBZ. Assim, no experimento com AF, todos os somaclones da cultivar ‘Maçã’ foram suscetíveis à murcha de Fusarium; já entre os de ‘Grande Naine’, dois foram selecionados como resistentes. No experimento apenas com a indução de variação somaclonal, foram selecionados dezoito somaclones resistentes da cultivar Grande Naine; doze da cultivar Prata-Anã e sete da cultivar Maçã. Diante do contexto, a abordagem do uso da indução e seleção de somaclones in vitro mostra-se promissora para o melhoramento de cultivares de bananeira resistentes à murcha de Fusarium. Os somaclones resistentes serão validados agronomicamente; além da validação da estabilidade da resistência, para na sequência serem indicados para os agricultores e/ou trabalhos futuros de melhoramento.