O objetivo central desse trabalho é analisar a subcultura straightedge no século XXI, pós-difusão das novas tecnologias de informação e comunicação, e refletir sobre a importância das práticas do-it-yourself (faça-você-mesmo) na reconfiguração do que é pertencer ao universo independente hoje. A pesquisa tem como objeto de estudo a subcultura straightedge de São Paulo, que gira em torno da Verdurada e de seu Coletivo homônimo, estando inserida dentro da cena hardcore punk da capital paulista. Busca-se problematizar a sustentabilidade do DIY, tentando perceber até que ponto as novas tecnologias estão
modificando a produção, a distribuição e o consumo de música dentre os straightedgers principalmente através do barateamento de equipamentos e do acesso à Internet e suas plataformas. Além disso, procura-se mergulhar na subcultura para entender o que é ser straightedge atualmente, mais de três décadas após seu surgimento nos Estados Unidos, e como se dão as relações de identidade com os valores straightedge, com a ideia de resistência,
com o engajamento político, com questões de gênero, com a busca pela autonomia na produção e distribuição musical, entre outros. Para isso, o caminho percorrido foi dividido em duas etapas: a primeira, de caráter teórico, consistiu em refletir sobre as transformações que o capitalismo vem passando e que levam à consolidação cada vez maior de uma sociedade em rede, analisando também os impactos que essas mudanças causam na indústria da música e no setor da produção musical dito independente. Também procurou-se refazer os passos da história e consolidação do straightedge no mundo e no Brasil, mostrando o surgimento e os valores agregados, desde a recusa ao consumo de álcool, drogas e tabaco, ao engajamento político e ao veganismo, por exemplo. A segunda parte do trabalho consistiu em uma pesquisa de campo feita durante dois anos no festival Verdurada e com os membros do Coletivo,
frequentadores, integrantes de bandas e demais atores envolvidos com a subcultura e sua produção musical, tentando refazer a trajetória histórica, assim como entender o funcionamento e a contextualização desses festivais; foi dada ênfase à relação e influência das novas tecnologias na vida dessas pessoas, assim como as percepções que tem sobre temas recorrentes na indústria da música (como profissionalização, direitos autorais e pirataria), a
fim de se observar o peso desses elementos na constituição da subcultura e na sua atual dinâmica.