O expressivo aumento no número de diagnósticos de pessoas com Transtorno do Espectro Autista devido à precisão nos critérios diagnósticos tornou possível a luta pela visibilidade dos sujeitos com TEA que estão cada vez mais presentes nas salas de aula e em outros espaços culturais. Embora não se tenha consenso a respeito da etiologia do transtorno, as descobertas e discussões em torno do TEA são de grande interesse no meio científico. Posto isso, a presente dissertação objetivou analisar e problematizar representações de juventude autista, sobretudo como são marcadas e visibilizadas as características que produzem um jovem autista na contemporaneidade, em específico, nos espaços culturais centrais – escola, família e trabalho – nos quais se desenrolam a narrativa, nos episódios da primeira temporada do artefato cultural da mídia – a série Atypical (2017). Esta pesquisa assume os aportes teórico-metodológicos dos Estudos Culturais, em articulação com os Estudos de Representação, Juventudes e Pedagogias Culturais aproximando-se de autores/as pós-estruturalistas. Para desenvolver as análises de um artefato com imagem, foi utilizada a proposta metodológica da etnografia de tela, pela qual foi possível registrar impressões e observações em um caderno de campo, a fim de selecionar as cenas mais pujantes para a produção de três categorias de análise: Na primeira, “Como são marcadas as características que produz um jovem autista que deseja namorar?”, conclui que as características são marcadas pelas estereotipias relacionados às
narrativas médicas, mas ao observar os mesmos interesses de outros jovens neurotípicos nesta fase da vida. Seu funcionamento diferente não o impede de ser, viver, sentir e se constituir como um jovem na contemporaneidade. Na segunda categoria, “Jovem (in) dependente – Escola e trabalho: locais (in) seguros!", as análises mostraram um jovem autista constantemente tutelado, produzindo uma falsa independência nos espaços da escola e do trabalho. E por fim na terceira categoria, “Jovem autista ou uma família com o autismo?" as análises ressaltam a relevância não somente do amparo do sujeito com TEA, mas também na acolhida de todos os membros do grupo familiar envolvidos no processo do desenvolvimento global do jovem autista. Destaco, ao final desta dissertação, a importância da análise da temática em questão, uma vez que as representações sobre o autismo são (re)produzidas pelos artefatos culturais – educando sobre modos de ser e de viver de jovens autistas e ainda, sobre as diferentes formas de enxergá-los em nossa sociedade.