A presente pesquisa pretende estudar e analisar a organização e atuação das elites políticas
do Maranhão, no século XIX, entre 1842 e 1875, a partir das eleições. Busca compreender
a configuração (e as reconfigurações) dos grupos políticos maranhenses nessa época. Os
pleitos (e as fraudes) para os cargos eletivos dos governos central e provincial certamente
eram um momento singular que mobilizava os grupos políticos locais; evidenciavam,
ainda, suas ações, identidades e força. Será, portanto, matéria crucial e recorrente deste
trabalho. A primeira parte da pesquisa abrange o período imediatamente posterior ao fim
da Balaiada, em 1842, até o ano de 1875, promulgação da Lei do Terço. Este longo prazo
permite observar com mais profundidade o perfil da elite nesse ínterim. Nessa parte,
enfocarei os deputados maranhenses eleitos para a Câmara Geral e os Senadores. Em
menor escala, utilizarei, sempre que considerar necessário para a exposição, as
informações oriundas de outras instituições importantes, notadamente as Câmaras
Municipais (de São Luís e Caxias) e Assembleia Provincial. Na segunda parte, a análise
é iniciada em 1855 e finalizada em 1864. Nela, me debruçarei mais pormenorizadamente
nas disputas eleitorais. Um ator institucional em particular, o Presidente da Província,
torna-se central nos embates das elites, e ele também será analisado a partir das
referências que lhe são feitas e de suas intervenções nos pleitos. Para averiguar as
identidades e organização das elites no âmbito provincial, privilegiarei uma fonte
específica: os jornais do período. Outro corpus documental, mais amplo, servirá para
confrontar, quando possível, essas caracterizações e identificações com a atuação
institucional: as atas e anais do Senado, da Assembleia Geral e Provincial, os avisos do
Ministério do Império e os relatórios dos presidentes de província. Por fim, as coleç