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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CIÊNCIA POLÍTICA (31021018157P8)
A DESCONSTRUÇÃO DO EUROCENTRISMO NAS ORGANIZAÇÕES HUMANITÁRIAS: UM ESTUDO SOBRE A ORGANIZAÇÃO MÉDICOS SEM FRONTEIRAS (MSF) NO BRASIL (2006-2021)
MAIRA TAVARES EUSTAQUIO DE OLIVEIRA
DISSERTAÇÃO
01/10/2021

Na esteira dos protestos globais de 2020 contra a violência às pessoas negras e apelos de trabalhadores do terceiro setor por uma reforma da politização e instrumentalização dos princípios humanitários, diversas organizações humanitárias receberam queixas referentes a abusos e desigualdades raciais perpetuadas em suas estruturas. Nos últimos anos, a Organização Não Governamental internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) esteve envolvida em denúncias de abuso e racismo institucional por seus atuais e ex-funcionários. Essas queixas são especialmente problemáticas no setor humanitário, visto que muitas de suas organizações se sustentam sob compromissos como imparcialidade, neutralidade e transparência. À vista disso, a presente pesquisa tem como objetivo analisar um dos principais atuais desafios enfrentados pela atividade humanitária: o eurocentrismo, na sua constituição e prática. Para isso, faz-se necessário examinar suas implicações a partir da compreensão das origens do humanitarismo e da sua interpretação no contexto colonial, pós, anti e decolonial; caracterização das Organizações Não Governamentais Internacionais como atores humanitários e; investigação de formas de decolonização do humanitarismo. As perguntas que orientam este trabalho são: a organização MSF pode ser considerada como uma organização não eurocêntrica e coerente com todos os seus princípios e valores no campo da inclusão e diversidade? Quais fatores explicam a distância entre discursos e práticas da organização? Tem-se como hipóteses os seguintes fatos: MSF é uma organização eurocentrada; MSF não é capaz de modelar todos os seus princípios e valores; e que a redução do eurocentrismo e a promoção da diversidade de pessoas em posições de tomada de decisão seria uma forma de decolonizar esta e outras organizações humanitárias. Através de um estudo de caso sobre a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil, no período 2006-2021, este trabalho estabelece um diálogo crítico entre as perspectivas clássicas do humanitarismo e as visões pós-coloniais, anticoloniais e decoloniais, a fim de sugerir possíveis formas de decolonização que apontem um novo modelo de humanitarismo onde as organizações sejam capazes de modelar os princípios e valores que pregam. Trata-se de um trabalho qualitativo, de caráter descritivo e explicativo que utiliza como técnicas de pesquisa a observação participante, entrevistas semi- estruturadas com informantes chave e análise documental e de dados secundários produzidos pelo escritório de MSF no Brasil. A partir do estudo das atividades e estrutura de MSF-Brasil, esta pesquisa mostra que a redução do eurocentrismo pode ser realizada através da promoção da diversidade de pessoas em posições de tomada de decisão que visem decolonizar o humanitarismo. Entretanto, torna-se evidente que as organizações humanitárias não são capazes de extinguir totalmente o sistema de colonialidade presente em suas estruturas, pois muitas dessas dinâmicas são intrínsecas às condições da ação humanitária internacional, tal como ainda são muito profundas na sociedade em geral. Todavia, é urgente e necessário começar a mudança por algum lugar.

Eurocentrismo. Humanitarismo. Médicos Sem Fronteiras. Decolonização.
In the wake of the 2020 global protests in opposition to violence against black people and calls by third sector workers for an overhaul of the politicisation and instrumentalisation of humanitarian principles, several humanitarian organisations received complaints regarding abusive practices and racial inequalities perpetuated within international NGOs structures. In recent years, the international non-governmental organisation Médecins Sans Frontières (MSF) has been involved in allegations of abuse and institutional racism by current and former staff members as a result of its Eurocentric nature. These complaints are especially problematic in the humanitarian sector, since this many of its organisations are sustained by commitments such as impartiality, neutrality and transparency. In view of this, the present research aims to analyse one of the main current challenges faced by humanitarian activity: Eurocentrism in its constitution and practice. For this purpose, it is necessary to analyse its implications by understanding the origins of humanitarianism and its interpretation in the colonial, post, anti and decolonial contexts; identifying International Non-Governmental Organisations as humanitarian actors and; investigating ways of decolonising humanitarianism. The questions that guide this study are the following: can MSF be considered as a non-Eurocentric organisation and consistent with all its principles and values in the field of inclusion and diversity? What factors explain the gap between discourses and practices of the organisation? As hypotheses, we present the following facts: humanitarian non-governmental organisations are not able to model all the principles and values they preach and are perceived as representing Western and neoliberal values, thus distancing themselves from distinct cultures. Through a case study on Médecins Sans Frontières (MSF) in Brazil in the period of 2006-2021, this paper establishes a critical dialogue between classical perspectives of humanitarianism and postcolonial, anticolonial and decolonial visions, in order to suggest possible forms of decolonisation that point to a new model of humanitarianism where organisations are able to model the principles and values they preach. This is a qualitative, descriptive and explanatory study that uses participant observation, semi-structured interviews with key informants and analysis of documents and secondary data produced by the MSF office in Brazil as research techniques. Based on the study of the activities and structure of MSF-Brazil, this research shows that the reduction of Eurocentrism can be achieved by promoting the diversity of people in decision-making positions that aim to decolonise humanitarianism. However, it is clear that humanitarian organisations are not able to fully extinguish the system of coloniality that exists in their structures, as many of these dynamics are intrinsic to the conditions of international humanitarian action, just as they are still very deep in society in general. However, it is urgent and necessary to start the change somewhere.
Eurocentrism. Humanitarianism. Médecins sans Frontières. Decolonisation.
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
O trabalho possui divulgação autorizada
Dissertação_Maíra de Oliveira-Final (2) (1).pdf

Contexto

Estudos Democráticos: Atores, Instituições e Política Mundial
RELAÇÕES INTERNACIONAIS E POLÍTICA MUNDIAL
SISTEMAS MIGRATÓRIOS, GESTÃO E GOVERNANÇA DAS MIGRAÇÕES NA AMÉRICA LATINA

Banca Examinadora

MARIA DEL CARMEN VILLARREAL VILLAMAR
Pesquisador
Sim
Nome Categoria
FABRICIO PEREIRA DA SILVA Docente - PERMANENTE
KARINE DE SOUZA SILVA Participante Externo
MARIA DEL CARMEN VILLARREAL VILLAMAR Pós-Doc

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Não
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