Empretecer o ensino de Língua Portuguesa, na perspectiva deste trabalho, implica aperfeiçoá-lo priorizando o estudo da oralidade como objeto de ensino (DOLZ; SCHENEUWLY, 2004)
(ANTUNES, 2003), com ênfase em gênero textual da comunicação pública, visando à
ampliação da capacidade comunicativa dos estudantes de modo a torná-los usuários mais
proficientes de sua língua materna (BAGNO, 2015). Para tanto, este estudo de natureza
qualitativa propõe uma intervenção pedagógica com fulcro na pesquisa-ação (cf. TRIPP,
2005, THIOLLENT, 2011) a ser desenvolvida por meio de uma Sequência Didática (SD)
(DOLZ; NOVERRAZ; SCHENEUWLY, 2004) para didatização do gênero memórias
literárias. A primeira versão daquela foi elaborada no período anterior à pandemia da COVID
19, portanto foi redimensionada para atender às especificidades da crise sanitária. A SD em
questão tem como parâmetro Barreiros e Souza (2015) e adota a obra São Sebastião do Passé
– 278 anos de História (1997), de Jardilina de Santana Oliveira, uma escritora negra, local,
não canônica, para propiciar letramento literário (COSSON, 2018), porque a literatura é um
bem incompressível (CÂNDIDO, 1988), mas que vem sendo negado até aos estudantes. Esta
proposta foi planejada para uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Aceleração
II, Estágio 2, da Escola Municipal Graciliano Ramos, em São Sebastião do Passé – BA,
visando também ao debate, à visibilização e ao combate do preconceito racial contra os
descendentes dos negros africanos escravizados e sequestrados para o Brasil. À luz dos
estudos sobre letramentos, particularmente dos pressupostos dos letramentos sociais de Street
(2014) e das especificidades da EJA (ARROYO, 2017), compreender como o racismo
interfere na aprendizagem desses estudantes, haja vista a maioria deles ser negra, portanto
vivencia experiências de racismo cotidianamente, porém esse tema fica invisibilizado como
se não fosse determinante das relações sociais (KILOMBA, 2019). Acredita-se que a efetiva
aplicação da intervenção pedagógica em fito promoverá avanços significativos para os
estudantes, será producente para a escola que terá uma pesquisa científica sobre a EJA,
favorecerá a cultura local sebastianense, que será mais conhecida e valorizada, além de
ampliar a constelação da literatura baiana que agregará uma escritora que aborda temas tão
caros à sociedade quanto atuais.