A captação de recursos próprios como fonte de financiamento da educação superior, no Brasil, constitui uma estratégia de sustentabilidade econômica das instituições públicas de ensino superior para complementar o financiamento estatal. Os questionamentos relacionados à captação de recursos próprios tomaram ênfase com o lançamento da minuta do programa Future-se, quando as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) viram-se pressionadas a angariar novas fontes de recursos para a manutenção das atividades institucionais de ensino, pesquisa e extensão, frente à redução dos recursos orçamentários provenientes do Ministério da Educação. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo geral: analisar a participação dos recursos próprios no orçamento do Centro de Ciências Agrárias (CCA), em uma análise comparativa ao orçamento geral da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no período de 2014 a 2019, a fim de fortalecer os estudos sobre financiamento do ensino superior, como ferramenta de mobilização política, e em defesa das instituições federais públicas. A pesquisa caracterizou-se, quanto à sua natureza, como sendo uma pesquisa analítico-descritiva. Trata-se de uma pesquisa exploratória e explicativa. Quanto aos procedimentos técnicos adotados para coleta de dados, caracterizou-se como bibliográfica, documental e um estudo de caso. Para a compreensão do assunto, foram discutidos aspectos relativos ao financiamento do ensino superior, as políticas públicas do ensino superior, o público-privado na educação, o orçamento público do ensino superior, o contingenciamento de recursos da união, e a concepção do programa Future-se. Este estudo partiu da hipótese de que os recursos próprios poderiam ser insuficientes para a manutenção das atividades institucionais, por serem provenientes apenas de arrecadações da própria instituição, tendo em vista que a proposta do
programa Future-se visa à diversificação de arrecadação por meio do fomento à captação de recursos próprios para o financiamento destas atividades. Após a análise da participação dos recursos próprios no orçamento do CCA, constatou-se que a maior fonte de recursos da UFPB é oriunda do orçamento da União e as receitas próprias representam apenas um aporte deste orçamento, o qual não pode ser considerado como fonte principal de financiamento da universidade a fim de manter as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Portanto, considerou-se insuficiente para suprir as despesas com manutenção das atividades da instituição. Em relação à concepção do programa Future-se, disposta na minuta final que tramita no Congresso, foram retiradas todas as menções dos recursos próprios, das fontes adicionais de financiamento e do que se propunha a intervir diretamente na gestão administrativa e financeira. Ainda assim, o programa Future-se continua sendo inviável, pois ainda se propõe a manter a gestão patrimonial nas IFES. Por fim, considerando que o financiamento das IFES é tema recorrente, em razão das atuais políticas governamentais, este estudo pode auxiliar, como fonte de análise e discussões, pesquisas futuras na área de financiamento da educação superior.