Esta dissertação suleada pelas lutas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra,
centra-se na Educação do povo camponês em nível de Ensino Médio.Buscou-se compreender
como esta geração de estudantes, que nasceu em um país redemocratizado, entende o seu
papel e dá continuidade à luta pela terra. A produção de dados teve como ponto de partida a
costura de arpillleiras e contou com a participação de quatro jovens Sem Terra, estudantes do
Instituto de Educação Josué de Castro, situado na região metropolitana de Porto Alegre, Rio
Grande do Sul.Na busca de sentidos entre as costuras e o dito sobre o traçado, os estudantes
foram nominados de: Ocupar, Resistir, Produzir e Conquistar. As discussões e análises,
“fincadas” nos Direitos Humanos, foram motivadas por documentos legais e no diálogo com
teóricos como: Frantz Fanon, Milton Santos, Paulo Freire, Ana Mae Barbosa, Diego Augusto
Dihel, Elisabeth Jelin e Roseli Caldart. Os estudos revelaram que: a) os estudantes Sem Terra,
seus familiares, não abrem mão de sua própria pedagogia, entendem a luta dos percussores do
MST e atualizam as demandas que tensionam para a garantia de direitos humanos aos sujeitos
contemporâneos do campo, os quais sofrem golpes de toda ordem, tanto pelo setor privado
quanto pelo setor público, por governantes, descomprometidos com a vida digna a todas (os);
b) os jovens camponeses produzem conhecimentos tendo como referência suas realidades
concretas, mesmo que tendo períodos de afastamento do campo, em vista da estada em regime
de alternância no Instituto de Educação Josué de Castro; c) as memórias individuais, de lutas,
não podem ser entendidas apartadas das Memórias Sociais, desse modo, estar no IEJC
possibilita um “estar longe” sem se afastar dos coletivos de luta, o que mantém o Movimento
em movimento; d) a Educação do Campo é o lastro para a concretude do assentamento, e o
acampamento é o lugar onde a semente da escola é plantada, regada, sonhada, projetada; e) a
produção de arpilleras como instrumento para a análise se transformou em registros potentes
das histórias familiares no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do coletivo,
revelando o poder transformador da Arte- Educação na perspectiva libertadora.