Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação, da
Universidade Federal de Santa Maria, na Linha de Pesquisa Educação Especial, Inclusão e
Diferença. Neste estudo, buscou-se investigar como estão acontecendo as ações de acesso e
permanência nos núcleos de acessibilidade das universidades federais frente aos cortes de
recursos públicos governamentais na área da educação, particularmente os vinculados aos
programas Prouni, Reuni e Incluir. Considerou-se como referencial teórico o histórico da
educação superior no Brasil e os marcos normativos e a relação da educação especial na educação
superior, a fim de compreender como vem se construindo o processo de educação superior no
Brasil, bem como o financiamento das políticas públicas para a Inclusão, com destaque ao Plano
Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), importante ferramenta para a permanência na
educação superior. Realizou-se, também, um mapeamento das produções científicas com três
principais descritores, sendo eles: “Financiamento da Educação Superior”, Núcleo de
Acessibilidade” e “Inclusão na Educação Superior”. Através do estado do conhecimento
(MOROSINI, 2015) observou-se que a maioria das produções analisadas traz elementos internos
sobre o processo de Inclusão na instituição pesquisada, porém, pouco tratam sobre o
financiamento da educação especial dentro das instituições. A abordagem metodológica desta
pesquisa tem cunho quanti-qualitativo, elaborando-se, primeiramente, uma análise quantitativa
que analisou os orçamentos do PNAES dentro das universidades. E, posteriormente, uma análise
qualitativa, efetivada por meio de dados coletados em entrevistas narrativas que foram analisadas
por meio da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (2011). As entrevistas foram realizadas
com as gestoras e profissionais do atendimento educacional especializado de três universidades
federais da região Sul do Brasil. Os resultados indicam que o atendimento educacional
especializado não é nomeado dessa maneira em todas as instituições, porém, todas as instituições
organizam alguma forma de dar suporte aos estudantes, com um viés educacional,
multiprofissional e sem cunho clínico. Constatamos, por fim, que os cortes resultaram em
consequências para as medidas de acesso e permanência no ensino superior, sendo uma das
principais a redução na contratação de bolsistas dentro dos núcleos de acessibilidade e na compra
do material pedagógico acessível, fatos que são decorrentes da promulgação da Emenda
Constitucional 95/2016, que obstaculiza a contratação de profissionais para atuar nas demandas
dos estudantes com deficiência, precarizando, desse modo, os serviços oferecidos pelas
universidades.