O trabalho desenvolvido nesta pesquisa tem por base o uso de jogos digitais na educação inclusiva como ferramenta para elaboração conceitual, em estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), contextualizada no Atendimento Educacional Especializado (AEE). A pesquisa possui caráter colaborativo, conforme Bortoni-Ricardo (2008), com objetivos cujos procedimentos se deram de forma exploratória. Além disso, centra-se na Teoria Sócio-Histórica, nos estudos do desenvolvimento humano enquanto processo nas interações sociais, pelas contribuições de Vygotski e seu colaborador Luria, com base na metodologia da prova do quarto excluído. Nas intervenções, foi utilizado como instrumento de pesquisa o jogo digital Dr. Baguncinha, desenvolvido pelos pesquisadores do Observatório de Políticas Educacionais da UNIVALI, ao qual esta pesquisa se vincula. O problema de pesquisa partiu das dificuldades cognitivas e emocionais apresentadas por estudantes com TEA, o que muitas vezes os impede de organizar suas ideias na elaboração de conceitos, devido às características singulares desse público. De cunho qualitativo, o objetivo principal da pesquisa foi analisar a elaboração de conceitos que contribuirão para um desenvolvimento nas funções intelectuais básicas em estudantes com TEA mediada por jogos digitais. Como objetivos específicos delineou-se: a) avaliar os níveis de interação e envolvimento de crianças com TEA no uso de jogos digitais; b) identificar avanços relacionados às funções cognitivas para elaboração de conceitos mediados por jogos digitais; c) identificar características do jogo digital que favorecem a elaboração conceitual de estudantes com TEA; e d) analisar a percepção dos professores quanto ao uso do jogo na sua prática pedagógica com estudantes com TEA. Foram participantes deste estudo dois estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, matriculados regularmente na Rede Municipal de Ensino, de uma escola de Pomerode - SC, em atendimento na sala do AEE. Cada estudante participou individualmente de cinco intervenções com duração de 50 minutos, com a pesquisadora e a professora do AEE. As intervenções foram realizadas com o jogo digital Dr. Baguncinha e com cartas analógicas com as mesmas imagens do jogo digital a fim de conseguirmos resultados mais promissores na elaboração de conceitos. Os resultados da pesquisa foram fundamentados na resposta dos sujeitos participantes frente à metodologia aplicada durante as atividades, cuja avaliação se deu a partir de critérios da Escala de Envolvimento e seus níveis, de Oliveira-Formosinho e Araújo (2004) e da pesquisa desenvolvida por Cathcart (2011), baseados em características como interesse, capacidade de seguir procedimentos, capacidade de organizar suas ideias, criatividade, entre outros, a fim de elaborar conceitos no desenvolvimento do pensamento na ontogênese infantil. As práticas desenvolvidas durante as intervenções propiciaram aos alunos novas formas de aprender e internalizar conceitos, mediados por jogos e pelas educadoras. Para a professora colaboradora do AEE, foram apresentadas alternativas de atividades potencializando sua práxis pedagógica. Constatou-se a preferência das crianças pelas atividades com o jogo digital, cuja avaliação revelou a importância de elementos de acessibilidade, apresentando as informações de diferentes formas – visual, auditiva, escrita –, com desafios que se tornam gradualmente complexos e tutorial para a aprendizagem das regras.