Parte-se do entendimento de que as desigualdades regionais dificultam a integração do País, confirmando a reprodução da concentração da pobreza, e das mazelas sociais condicionadas a ela, em regiões específicas como as regiões Norte e Nordeste que congregam tradicionalmente um maior percentual da população pobre. Levando em consideração esse panorama e as demais variáveis que afetam os indicadores de pobreza no Brasil, buscou-se entender se as transferências realizadas pelo Programa Bolsa Família (PBF), ao atuarem com foco na redução da pobreza, são capazes de atuar como políticas públicas de mitigação das disparidades regionais. De outro modo, pretendeu-se investigar se os programas de transferência de renda atuaram como promotores do desenvolvimento regional do País. Para responder a essa questão, a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), foram construídos os índices de Gini regionais para os anos de 2004 e 2015. De forma geral, o processo de desconcentração industrial aliado às rendas transferidas pelos programas sociais ajudou a mitigar o efeito concentrador de renda e das disparidades regionais de renda na maior parte das regiões brasileiras. Deste modo, pode-se argumentar em favor da atuação do PBF como instrumento efetivo de promoção do desenvolvimento regional no Brasil. Visando explorar o papel da transferência de renda condicionada sobre o desenvolvimento regional em uma escala geográfica mais específica, foi realizada uma análise exploratória espacial para os dados referentes ao Bolsa Família e ao IFDM para os municípios brasileiros. O retrato regional do Bolsa Família indica que não houve diferença expressiva da variação da distribuição dos valores das transferências do PBF no ano de 2015 em relação ao ano de 2005. Diante dos resultados das estatísticas espaciais, há evidências do padrão de concentração espacial do IFDM e das transferências do PBF no contexto univariado. As cidades das regiões Sul e Sudeste estão presentes com maior intensidade no cluster AA de desenvolvimento municipal e, por outro lado, menos municípios destas regiões estão concentradas no cluster BB no que se refere às transferências de renda do PBF. Com baixos níveis de desenvolvimento, vizinhos a municípios em condições similares, estão as cidades das regiões Norte e Nordeste. Os municípios nortistas e nordestinos também são maioria no cluster AA com relação aos níveis de transferência de renda condicionadas. Diante de tal configuração espacial para o contexto univariado, o padrão espacial de dispersão constatado para a relação existente entre IFDM e PBF era esperado. Torna-se imprescindível, portanto, a formulação e implementação de políticas públicas de cunho social que propiciem a construção de territorialidades de direito, ou seja, a efetivação da cidadania. Sendo assim, advoga-se em prol de uma territorialização desse tipo de programa de modo a permitir a integração entre os diferentes atores e instituições. Por fim, vale destacar que quando o Estado se ausenta, as camadas mais desprovidas dos elementos básicos à vida são as mais impactadas o que torna o ciclo da pobreza mais forte e de complexa solução. Como resultado, o desenvolvimento regional pleno torna-se ainda mais distante.