Estamos situados em uma cultura virtual. Com a pandemia da covid-19 iniciada em 2020, essa circunstância se avigorou. O crescimento das plataformas, considerando a proeminência da plataformização do ensino dentro do campo da educação, possibilitou a criação de um valor econômico e social em grande escala, a partir de ecossistemas que impulsionam a economia digital. Nesse sentido, duas indagações constituem a problematização deste estudo: o que está em jogo no campo educacional com o estabelecimento do ecossistema de ensino plataformizado? A plataformização equivale à nova hegemonia de um neoliberalismo digital? Com base no exposto, salientamos que a temática desta pesquisa é a plataformização do ensino em contexto de um neoliberalismo que podemos entender como digital em tempos de capitalismo de plataforma. Nosso objeto de estudo é o fenômeno da plataformização, focando-se no cenário educacional a partir dos seguintes projetos de plataforma: 1) Canvas, 2) Aprendendo Sempre, 3) AprendiZAP, 4) YouTube Edu e 5) Resolve Sim. A fim de responder aos questionamentos apresentados, estabelecemos como objetivo central analisar as consequências do fenômeno da plataformização do ensino, por meio das particularidades do capitalismo de plataforma e do neoliberalismo digital. De forma específica, buscamos: a) entender o surgimento do capitalismo de plataforma, de modo a abranger suas características (efeitos de rede, economia digital, ecossistema e rizoma); b) apresentar as idiossincrasias do neoliberalismo, respaldando-se em como a racionalidade neoliberal foi consolidada na sociedade brasileira; c) tecer reflexões a respeito das especificidades dos conceitos de campo em Pierre Bourdieu e hegemonia em Antonio Gramsci, articuladamente ao referencial do capitalismo de plataforma e às particularidades do neoliberalismo; d) promover uma discussão acerca do fenômeno da plataformização do ensino, por meio de uma perspectiva teórico-crítica, recorrendo às plataformas mencionadas. Os referenciais teóricos da pesquisa se concentram nas reflexões de Bourdieu (2011a), Gramsci (1999) e demais comentadores, bem como em Srnicek (2017). Metodologicamente, trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa, valendo-se da pesquisa bibliográfica e, em alguns momentos, da documental. Os resultados evidenciam que as plataformas se pautam nos ideários de qualidade, soluções tecnológicas e inovações, ao consolidarem conectividades rizomáticas em busca de ampliar efeitos de rede e extrair dados para prognosticar maneiras de sociabilidade. Concluímos que as cinco plataformas analisadas implantam condutas hegemônicas de que resolverão complexidades educacionais; há disputas por ascensões e, em meio a isso, a educação fica condicionada à característica de produto, e não como um bem público, com práticas de benchmarking digital que instituem formas para o almejo da diferenciação.