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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
CIÊNCIAS DA LINGUAGEM (23002018073P9)
Educação Presencial
Entre variação, mudanças e tradições: um olhar às formas de tratamento pronominal à expressão de 2ªPS (VOCÊ-TU) em cartas sertanejas do subgênero amor da segunda metade do século do XX
TALLYS JULIO SOUZA LIMA
DISSERTAÇÃO
11/01/2022

Sincronicamente, é fato empírico que a forma de tratamento pronominal VOCÊ se generalizou em quase todas as regiões do território brasileiro, ocupando a posição sintática de sujeito de 2ªPS. Seja alternando com o TU ou empregado de modo exclusivo, o VOCÊ brasileiro carrega em sua estrutura valor semântico híbrido e permeia os variados eixos das relações interpessoais. Numa perspectiva histórica da língua, mapear as etapas do processo de implementação da forma inovadora no sistema linguístico e social do português brasileiro seria uma tarefa desafiadora e ao mesmo tempo relevante para se compreender melhor a configuração atual do idioma nacionalizado. Deste modo, o estudo que aqui se propõe detém um caráter quantitativo- qualitativo e objetiva operacionalizar uma análise sobre o comportamento sintático dos modos de dizer tradicionais à expressão de sujeito em 2ªPS (VOCÊ/TU). Para isso, destacou-se do estudo de Ataíde e Lima (2018) uma amostra de textos composta por 22 cartas de amor, produzidas na segunda metade do século XX (1956-1958), por um jovem casal apaixonado não- ilustres, oriundo do alto sertão pernambucano. Como ferramentas teórico-metodológicas, articulou-se a tríade da Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 2008 [1972]; WEINREICHE, U., LABOV, W. HERZOG, M. 2006 [1968]), associada à perspectiva europeia da Sociolinguística Histórica (CONDE-SILVESTRE; ROMAINE, 1985), e ao modelo das Tradições Discursivas (KABATEK, 2006). Para os fatores intra e extra-linguístico de análise, determinou-se: (I) formas concretas de realização do sujeito; (II) tipo de realização concreta do sujeito (Preenchido e não-preenchido); (III) paradigma de organização morfossintática das formas (nível da concordância); (IV) fator sexo/gênero dos escreventes e (V) exclusividade ou mistura das formas pronominais na composição de cada carta. Os resultados encontrados apontam que (I) tradicionalmente, os materiais se apresentam com a estrutura composicional dos gêneros epistolares; (II) os vocativos empregados ao longo dos anos na escrita de R. e M. reflete os contextos de produção dos textos e expõem os diferentes estágios da relação do casal; (III) no enredo temático das cartas, identificam-se marcas de emocionalidade e intimidade que funcionam como um parâmetro de proximidade comunicativa e é eficaz para a classificação desse subgênero em oposição às cartas de casais. (IV) O uso de marcadores conversacionais como “Olhe” e o emprego do vocativo nominal próprio M. aludem a transição temática na conversa escrita, bem como deixam resquícios da oralidade na escrituralidade do texto. (V) no tocante à frequência de uso das formas pronominais VOCÊ e TU ocupando a posição sintática de sujeito, observa-se que ambas se apresentam com frequência proporcional na escrita do missivista do sexo/gênero masculino (VC=51% e TU=49%), enquanto a remetente do sexo/gênero feminino compõe seu único texto resgatado com uso exclusivo de TU. (VI) percebeu-se que ambas as formas variantes apresentam-se na posição sintática de sujeito, preferencialmente, como sujeito-preechido; (VII) no fator composicinalidade das missivas, constatou-se que o remetente compõem suas cartas com o uso do subsistema VOCÊ/TU (46%), seguido pelo uso de VOCÊ exclusivo (23%) e TU exclusivo (14%); (VIII) No controle do fator padrão de organização morfossintática (nível concordância), observou-se a recorrência de três formas conjugais à 2ªPS: a) VOCÊ em concordância com a 3ªPS (50%), b) TU em concordância com a 2PS (38%) e c) TU em concordância com a 3ªPS (12%).

Variação diacrônica;VOCÊ e TU;Carta de amor dos anos 50;Alto Sertão pernambucano;2ªPS
Synchronically, it is an empirical fact that the pronominal form of treatment VOCÊ became widespread in almost all regions of the Brazilian territory, occupying the syntactic position of subject of the 2nd PS. Whether alternating with the TU or used exclusively, the Brazilian VOCÊ carries in its structure a hybrid semantic value and permeates the various axes of interpersonal relationships. From a historical perspective of the language, mapping the stages of the implementation process in an innovative way in the linguistic and social system of Brazilian Portuguese would be a challenging and at the same time relevant task to better understand the current configuration of the nationalized language. Thus, the study proposed here has a quantitative-qualitative character and aims to operationalize an analysis of the syntactic behavior of traditional ways of saying to the subject's expression in 2nd PS (VOCÊ/TU). For this, a sample of texts composed of 22 love letters, produced in the second half of the 20th century (1956-1958), by a non-illustrious young couple in love, from the high hinterland of Pernambuco. As theoretical-methodological tools, the triad of the Theory of Linguistic Variation and Change was articulated (LABOV, 2008 [1972]; WEINREICHE, U., LABOV, W. HERZOG, M. 2006 [1968]), associated with the European perspective of Historical Sociolinguistics (CONDE-SILVESTRE; ROMAINE, 1985), and to the model of Discursive Traditions (KABATEK, 2006). For the intra and extra-linguistic factors of analysis, it was determined: (I) concrete forms of realization of the subject; (II) type of concrete realization of the subject (Filled in and unfilled); (III) morphosyntactic organization paradigm of forms (agreement level); (IV) sex/gender factor of the writers and (V) exclusivity or mixture of pronominal forms in the composition of each letter. The results found indicate that (I) traditionally, the materials are presented with the compositional structure of the epistolary genres; (II) the vocatives used over the years in the writing of R. and M. reflect the contexts of production of the texts and expose the different stages of the couple's relationship; (III) in the thematic plot of the letters, marks of emotionality and intimacy are identified that work as a parameter of communicative proximity and are effective for classifying this subgenre as opposed to couple letters. (IV) The use of conversational markers such as “Olhe” and the use of the proper nominal vocative M. allude to the thematic transition in written conversation, as well as leaving traces of orality in the writing of the text. (V) regarding the frequency of use of the pronominal forms VOCÊ and TU occupying the syntactic position of subject, it is observed that both appear with proportional frequency in the writing of the male letter writer (VOCÊ=51% and TU=49 %), while the female sender composes her only text rescued with the exclusive use of TU. (VI) it was noticed that both variant forms are presented in the syntactic position of subject, preferably as filled-in subject; (VII) in the composicinality factor of the missives, it was found that the sender composes his letters with the use of the Você/TU subsystem (46%), followed by the use of exclusive VOCÊ (23%) and exclusive TU (14%); (VIII) When controlling for the standard factor of morphosyntactic organization (agreement level), there was a recurrence of three conjugal forms to the 2nd PS: a) VOCÊ in agreement with the 3rd PS (50%), b) VOCÊ in agreement with the 2PS ( 38%) and c) TU in agreement with the 3rd PS (12%).
Diachronic variation;VOCÊ and TU;Love letter from the 50s;Alto Sertão Pernambuco;2nd PS
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
O trabalho possui divulgação autorizada
DISSERTAÇÃO_Tallys Julio.pdf

Contexto

Linguagens e Sociedade
ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DA LINGUAGEM
Variação Linguística no Oeste Potiguar

Banca Examinadora

GILSON CHICON ALVES
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
GILSON CHICON ALVES Docente - PERMANENTE
CID IVAN DA COSTA CARVALHO Docente - PERMANENTE

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 7

Vínculo

-
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-
Não
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