Tendo como premissa que a pluralidade cultural ganha fôlego mediante o livre trânsito de ideias e se abastece de constantes trocas e diálogos entre culturas, a tradução, enquanto atividade e igualmente resultado dessa atividade, convoca um olhar investigativo diferenciado. Destaque justificado por seu papel fundamental na disseminação da diversidade materializada nas produções literárias. Assim, as trocas interculturais proporcionadas pela tradução e a atividade que ela estabelece entre os sistemas literários passam a ser componentes estratégicos dentro das políticas de desenvolvimento nacional e internacional. É dentro do Plano Nacional do Livro e Leitura que encontramos o eixo Desenvolvimento da Economia do Livro como Estímulo à Produção Intelectual e ao Desenvolvimento Nacional, desdobrado, entre outros, no subeixo Maior Presença no Exterior da Produção Nacional Literária Científica e Cultural Editada, que abarca uma nova política de internacionalização do livro brasileiro, cuja uma das frentes é o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior. Este último, epicentro da análise, se propõe a difundir a cultura e a literatura brasileiras no exterior. Este trabalho se propõe a pormenorizar o programa em questão através do exame quantitativo e qualitativo de seus dados no período 2011-2019. Fundamentado em noções como as de polissistema, centralidade (EVEN-ZOHAR, 1990), capital simbólico, campo literário e ciclos de produção (BOURDIEU, 1996), as correlações entre os bens simbólicos do campo literário nacional e internacional serão investigadas, abarcando diferentes agentes – obras, autores, editoras, tradutores – envolvidos no processo de intercâmbio cultural aqui delimitado. A pesquisa almeja somar forças para o reconhecimento da tradução enquanto relevante prática social. Igualmente, espera contribuir para o conhecimento de um dos atuais processos de internacionalização da literatura brasileira em suas possíveis relações com políticas públicas para o livro e leitura em contexto nacional, apontando a relevância de sua participação no Plano Nacional do qual é integrante, que, sob concepção sistêmica, abrange dimensões como “a cultura como valor simbólico” e “a cultura como economia”.