O modo intensivo de produção agrícola da Região Serrana - RJ se caracteriza pela utilização massiva de agroquímicos (fertilizantes minerais solúveis e agrotóxicos), resíduos orgânicos da produção de proteína animal e também pelo manejo inadequado do solo, com preparo mecanizado e a favor da pendente. Este tipo de exploração tem proporcionado severos impactos ambientais como: perdas de solo por erosão; contaminação do solo e águas superficiais e subsuperficiais, e comprometimento da qualidade das hortaliças produzidas. Diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivos: propor os Valores de Referência de Biodisponibilidade (VRB) para Cu, Pb e Cr, para os solos da Região Serrana do Rio de Janeiro; avaliar a contaminação do solo por Cu, Pb e Cr, através do uso conjunto dos índices de poluição (IP) e biodisponibilidade (IB), em áreas de produção de hortaliças de folha e avaliação do risco à saúde humana ocasionado pelo consumo de hortaliças de folha contaminadas por esses três metais. Para a determinação dos VRBs, foram coletadas amostras de solo, em 62 pontos, em áreas sem ou com baixa atividade antrópica, mata e pastagem, nas profundidades de 0-20 cm e 20-40 cm. Para avaliação da contaminação por Cu, Pb e Cr de áreas cultivadas com hortaliças de folha (salsa, alface e couve-comum), amostras superficiais foram coletadas em 205 pontos, na profundidade de 0-20 cm. Nessas áreas, também foram coletadas amostras de folhas das hortaliças. A determinação dos teores pseudototais, desses três metais, foi realizada seguindo a metodologia EPA 3051. Entretanto, o fracionamento geoquímico foi realizado pelo método BCR modificado. Para as amostras de folha, utilizou-se a metodologia EPA 3050B. Nas áreas de produção de hortaliças de folha foram determinados os IPs e IBs. Os extratos obtidos foram analisados em aparelho Espectrometria de Emissão com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES) (capítulo 1) e de absorção atômica (capítulo 2). Verificou-se que as áreas de mata e pastagem extensiva não apresentaram diferença significativa nos teores pseudototais e nas diferentes formas químicas de Cu, Pb e Cr, indicando que ambas poderiam ser utilizadas para o estabelecimento dos valores de referência de qualidade e de biodisponibilidade. Através da análise agrupamento, subdividiu-se as amostras de solo com baixa atividade antrópica em 3 grupos homogêneos. Neste trabalho, o percentil 75 (P75) de cada grupo foi o escolhido para o estabelecimento dos VRBs. Os VRBs de Cu para os grupos G1, G2 e G3, foram de: 0,40; 0,33, e 0,16 mg.kg-1, respectivamente. Para o Pb, foram de: 1,05; 0,30 e 0,90 mg.kg-1 e para Cr, de 0,09; 0,00 e 0,15 mg.kg-1, respectivamente. Os teores biodisponíveis de Cu, Pb e Cr foram influenciados, principalmente, pelo pH e óxidos e hidróxidos de Mn, como indicado pela Análise de Componetes Principais (ACP). Constatou-se também pelas ACPs que os teores biodisponíveis mais elevados estariam associados as áreas mais baixas do relevo. As áreas de cultivo de hortaliças foram subdivididas em 2 grupos pela análise agrupamento. Utilizando os VRQs e VRBs para região Serrana determinou-se os valores Índices de Poluição (IP) e Biodisponibilidade (IB). No G1, o IP de Cu apresentou moderado risco de contaminação, Pb baixo risco e Cu ausência de risco. Entretanto, os IBs de Pb e Cr apresentaram severa contaminação. Entretanto, para o G2, os IPs de todos os elementos estudados apresentaram ausência de contaminação, porém, os IBs de Pb e Cr, indicaram moderado e severo risco de transferência para a cadeia alimentar. A absorção de Cu, Pb e Cr pelas plantas de alface, salsa e couve-comum, está relacionada aos seus teores biodisponíveis. Como constatado ao longo do trabalho o Pb, representava maior risco de entrada na cadeia trófica, por possuir maior labilidade. Com relação as hortaliças folhosas produzidas na região, mesmo tendo os IBs de Cr, em ambos grupos, indicando risco severo, somente o Pb apresentou teores médios em folhosas acima do limite máximo estabelecido por agência regulatória brasileira. Entretanto, os riscos associados ao consumo das hortaliças produzidas na região de estudo não extrapolaram os limites consideráveis toleráveis, devido ao baixo consumo de tais folhosa.