O décimo bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa, é uma das personalidades mais
conhecidas da história do catolicismo brasileiro da segunda metade do século XIX.
Considerado um ultramontanista, as ações do bispo deixaram um impacto significativo
não somente em sua região de bispado (Pará e Amazonas), mas em âmbito nacional.
Envolvido diretamente no conflito chamado Questão Religiosa, o bispo desafiou o
Império na luta contra a gerência temporal sobre os assuntos espirituais e promoveu um
embate ao que considerava como heresia moderna, a exemplo do protestantismo e da
maçonaria. Analisando o seu discurso, podemos desenhar um projeto teológicodoutrinário e iconográfico católico do bispo para a região, que se opõe à modernidade do
século XIX e busca se alinhar à Idade Média, tendo-a como fonte de legitimidade,
identidade e auctoritas. O bispo, que recusa ser chamado de ultramontano, exalta a
sociedade e a Igreja Medieval, e se apropria de muitas das suas concepções teológicodoutrinárias, imagéticas e litúrgicas para pôr seu projeto em prática no Pará. Assim, a
presente tese se divide em duas partes. A primeira tratar-se-á da construção do(s)
cristianismo(s) enquanto instituição religiosa atrelada ao Império Romano, que se
aparelha do poder político e religioso, e do desenvolvimento da devoção de imagens
cristãs, tratada teoricamente aqui como imago, durante o medievo. Dois temas
iconográficos serão ressaltados: a crucificação (imago-crucifix) e a Virgem Maria
(Theotókos), destacando-se a contribuição do pintor Giotto de Bondone para tais
representações e para a construção do conceito de Idade Média. A segunda parte será
dedicada à contextualização ultramontana a fim de entender a posição do bispo Dom
Macedo Costa, e também analisar seu projeto, que tem como sede de atuação a Catedral
da Sé de Belém do Pará. Através dos jornais diocesanos sob direção do bispo, A Estrella
do Norte e A Boa Nova, e a reforma que empreendeu para a decoração do interior da
Catedral, analisaremos, por meio da teoria do neomedievalismo, as apropriações que Dom
Macedo faz do medievo para recriar teológica e imageticamente uma Igreja Medieval no
Pará.