SILVA, Vanderson de Sousa Silva. Representações sociais do corpo e da sexualidade na
escola pública segundo professores do ensino médio de escolas públicas. 2022. 176 f.
Dissertação de Mestrado (Mestrado em Psicologia), Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Católica de Petrópolis, Rio de Janeiro, 2022.
O objetivo desta pesquisa foi conhecer as representações sociais do ‘corpo’ e a
‘sexualidade’ para docentes do Ensino Médio das escolas públicas do Estado do Rio de
Janeiro. Na pesquisa adotamos a Teoria das Representações Sociais (TRS) conforme
preconizada por Moscovici em seu desdobramento na Teoria do Núcleo Central (TNC)
de Jean-Claude Abric, por ser a mais cognitivista dentre as abordagens da TRS. Assim
como, nos pautamos na teoria da interseccionalidade que vislumbra correlacionar os
marcadores sociais da diferença. Com o objetivo de analisar as representações sociais do
corpo e da sexualidade na escola pública segundo professores de Ensino Médio, nossa
pesquisa tratou de conhecer os conteúdos e a estrutura das representações sociais do corpo
e da sexualidade na escola pública entre professores de Ensino Médio de escolas públicas.
Bem como, intentou descrever como os professores de Ensino Médio de escolas públicas
concebem o corpo e a sexualidade na escola pública a partir de suas representações. Além
de discutir as condutas/práticas (ou comportamentos) dos professores de Ensino Médio
de escolas públicas diante do corpo e da sexualidade na escola pública, também de modo
interseccional. Para realizar a pesquisa de cunho qualitativo e exploratória optamos pela
aplicação de questionário disponibilizado de forma on line, lançado no Google Forms.
Participaram da pesquisa 160 professores da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro,
que atuam no Ensino Médio, de ambos os sexos e independentemente da idade ou tempo
de magistério no Ensino Público. Ao pensarmos as categorias corpo e sexualidade nos
contextos escolares, precisamos perceber que existem desafios, subversões, acordos,
tensões, consensos e dissensos que permeiam as relações sociais. Assim, não existe na
escola uma única visão sobre as relações de gênero e sexualidade, pelo contrário, são
muitas as facetas, a depender dos grupos que a compõem, se mais afeitos às perspectivas
políticas conservadoras, centristas ou progressistas. Outra marca que podemos
caracterizar é a compreensão sobre a sexualidade, existem grupos que tencionam a
diversidade como valor, enfatizam as identidades mais fluidas e desconstruídas, em
síntese, uma sexualidade problematizada; ao passo que, outros grupos, associam a
sexualidade como algo privado, não presente nos debates e espaços públicos, como na
escola; pode ainda, conceber a sexualidade de modo binário e heteronormativo. A
educação corporal e a sexualidade são prementes nos contextos escolares, justamente,
para a superação do paradigma dualista que desconsidera as implicações entre a natureza
e a cultura. Conforme ficou evidenciado nas análises, o corpo é representado como
secundário na escola, não estando, devidamente, atravessando o cotidiano escolar de
modo a promover a ruptura com os modelos anátomo-fisiológicos e biológico, que no
fundo, reforçam as concepções dualistas sobre o corpo e a sexualidade. Outrossim, a
sexualidade transpassa o cotidiano da escola pública, segundo as representações sociais
dos docentes, no entanto, persistem evocações, como, ‘interdição’ e ‘impróprio’ que nos
levam à realidade, nas escolas coabitam ideias e ações contraditórias, ao mesmo tempo,
de forma criativa e potente, se constituem tempos-espaços de resistências. A dualidade
evoca a complexidade dos temas, o despreparo diante das urgentes exigências dos grupos
que irão, a despeito, de tudo e todos, inscreverem seus corpos e sexualidades dissidentes
da norma. Nesse contexto, por vezes hostil, como fica caracterizado nas representações
evocadas - ‘invisibilidade’, ‘preconceito’, ‘homofobia’ e ‘medo’ - a esperança e a
resistência precisam ser atos políticos.