Introdução: Os jovens representam a faixa etária mais acometida pelo Papilomavírus Humano (HPV), possuindo a maior taxa de prevalência de infecção por esse vírus, que é caracterizado como uma infecção sexualmente transmissível (IST) e considerado um problema de saúde pública devido à sua associação com o câncer de colo do útero. A iniciação da prática sexual pelos adolescentes no Brasil ocorre em média aos 15 anos de idade, com grande chance de múltiplos parceiros ao longo da vida. O Ministério da Saúde introduziu a vacina contra o HPV em 2014 para as meninas por meio do Programa Saúde na Escola (PSE); esperava-se atingir uma cobertura vacinal de 80% em todas as regiões brasileiras na primeira dose, entretanto obteve-se uma baixa cobertura vacinal (42%). Em 2017, quando começou a vacinação para os meninos, a cobertura vacinal foi bem aquém do esperado: um em cada cinco compareceu aos postos de vacinação. Com a pandemia da covid-19, essa cobertura foi reduzida não somente no Brasil, mas em todos os países que introduziram a vacina contra o HPV, e cerca de 1,6 milhões de meninas perderam a oportunidade de vacinação. Objetivo: Identificar os saberes de crianças e adolescentes cadastrados no Programa Médico de Família de Niterói, no módulo Viradouro, sobre o HPV e sua imunização. Métodos: Estudo transversal, com abordagem quantitativa e amostra aleatória. Utilizou-se a base de dados PRIME do PMF Viradouro. Foram entrevistados 56 adolescentes de 14 a 17 anos e 66 crianças de 9 a 13 anos, separados em 2 grupos, sendo o grupo mais novo aquele com indivíduos de 9 a 13 anos e o grupo mais velho com indivíduos de 14 a 17 anos. Aplicou-se um questionário padronizado, utilizando-se como base as perguntas do artigo “Papilomavírus Humano (HPV) entre jovens: um sinal de alerta”, contendo questões referentes a quatro categorias. Resultados: Trinta e um adolescentes (52,5%), sendo 20 meninas e 11 meninos entre 14 e 17 anos, iniciaram sua vida sexual, com idade média da sexarca aos 13,75 anos. Destes, 64,5% não usaram preservativo no primeiro ato e continuaram não usando. No
grupo mais novo, 1 menino iniciou sua vida sexual aos 12 anos, sem uso de preservativo, e continuou mantendo essa prática. Diante da arguição sobre o conhecimento acerca do HPV e sua transmissão, 100% do grupo mais novo não souberam responder o que significa HPV, enquanto no grupo mais velho o valor foi de 75%. Quanto ao conhecimento sobre a imunização contra HPV, 93% do grupo mais novo e 87% do grupo mais velho não souberam responder. Conclusão: As crianças e adolescentes da comunidade do Viradouro estão iniciando sua vida sexual precocemente. Dos 32 que iniciaram a vida sexual, mais da metade, 64,5%, foi de meninas. Vale salientar que, apesar dos vários meios de obtenção de informações, como Facebook, TV, WhatsApp, pais, amigos, escola, unidade de saúde, 79% e 44% do grupo mais novo e mais velho, respectivamente, não souberam informar/não tinham conhecimento sobre HPV. Sabe-se que a adolescência, fase de transição, de descoberta de sensações e prazeres, torna necessário que os profissionais de saúde se adequem à linguagem deles para melhor aceitação e interação. A escola e a unidade de saúde precisam se reinventar para absorver tal demanda.