O presente trabalho de dissertação de mestrado intitulado Áreas do setor sucroenergético na Bahia: potencialidades e vulnerabilidades, objetivou compreender o setor sucroenergético na Bahia, observando e analisando como a atividade sucroenergética buscou se organizar econômica e socialmente, diante das contradições impostas na fase atual do capitalismo globalizado. A presente pesquisa articulou-se com a importante trajetória de investigação sobre o setor sucroenergético do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos Geoambientais (NUCLAMB), considerando a importância dos estudos geográficos sobre o setor sucroenergético brasileiro. Nesse contexto, o objetivo geral da investigação foi analisar o setor sucroenergético no estado da Bahia, identificando suas potencialidades e vulnerabilidades, procurando identificar sua forma de inserção na divisão territorial do trabalho do setor a nível nacional. Considerando que na atual fase capitalista, no âmbito da economia brasileira, na qual se insere o setor sucroenergético, novas políticas e tecnologias emergiram, bem como transformações nas relações sociais, que significam a integração de novas formas organizacionais, indaga-se: em que medida as referidas transformações técnicas e mudanças sociais foram introduzidas no setor sucroenergético da Bahia? Nesse contexto, quais as potencialidades e/ou vulnerabilidades detectadas no setor que favoreceram ou dificultaram as referidas transformações? Desse modo, o objeto da investigação nos remete à necessidade de uma ação metodológica pautada na perspectiva de trabalhar com categorias, conceitos e noções a fim de compreender os rebatimentos espaciais dos processos e relações que constituem o setor sucroenergético na dinâmica temporal e territorial no Estado da Bahia, sendo operacionalizada por meio do levantamento de dados secundários disponibilizados pelo IBGE através da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), NOVACANA, CONAB, União Nacional de Bioenergia (UDOP), Redesim/Receita Federal, dentre outros. Em função das consequências da pandemia da COVID-19, não foi possível que fosse realizado um trabalho de campo para levantamento de dados primário. Portanto, as áreas produtivas do setor sucroenergético na Bahia inserem-se no contexto da divisão territorial do trabalho do setor a nível nacional, de modo relativamente periférico, por vezes utilizando a condição de médios e pequenos produtores de cana, significando baixas possibilidades de acesso a crédito e a melhorias técnicas, com frequência com a produção de açúcar, etanol e energia voltada para atender a demanda local e, em alguns casos, até regional, oportunizando uma relativa dinamização econômica nos municípios, por meio da mobilização de trabalhadores e serviços de suporte para a manutenção das produções.