Os resíduos da construção civil (RCC) constituem atualmente um dos maiores problemas das áreas urbanas, visto que são gerados em volumes significativos, e nem sempre recebem uma destinação final adequada. Uma das maneiras de minimizar o impacto provocado pelos RCC é através da implementação de uma gestão integrada, que necessita de uma abordagem apoiada em ferramentas de tomada de decisão. Dessa forma, esta pesquisa teve como objetivo desenvolver um sistema computacional como subsídio à gestão consorciada dos resíduos da construção civil para os municípios brasileiros e analisar a viabilidade da formação de consórcios intermunicipais. Para isso, foi realizado inicialmente um diagnóstico na Bacia Hidrográfcia do Baixo Pardo/Grande (BH-BPG) pertencente a 12ª Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI 12) do Estado de São Paulo de modo a identificar os principais desafios de uma gestão integrada de RCC. Para o estudo na UGRHI 12, foram coletados dados da situação dos RCC nos 12 municípios integrantes, através da aplicação de questionário aos gestores e por meio visitas aos municípios para levantamentos in loco das áreas de disposição final. Com base nos resultados obtidos, foi possível estimar que a produção de RCC nos municípios pertencentes à UGRHI 12 é de 439,12 toneladas por dia, com média per capita de 131 kg/hab.dia, sendo a grande maioria pertencentes a classe A (75%), podendo desta forma ser reutilizados ou reciclados como agregados. Esses dados demonstram a necessidade de políticas específicas de gestão dos RCC para municípios de pequeno porte. Também verificou-se que nenhum dos municípios possuem aterros de resíduos da construção civil, áreas de transbordo e triagem e usina pública de reciclagem de resíduo classe A, infraestruturas essenciais para o gerenciamento dos RCC gerados. Com base nesses resultados foi avaliado a viabilidade econômica de três cenários distintos para formação de consórcio intermunicipal para a gestão dos RCC na UGRHI 12. A formação de um consórcio entre os municípios em que eles compartilhariam áreas de transbordo e triagem e uma usina de reciclagem fixa, resultou em uma TIR de 78,79% e um VPL de R$ 29.094.983,16 e um payback de 1 ano e 7 meses. Nos três cenários analisados constatou-se que esse modelo de gestão pode ser viável e lucrativo, pondendo trazer redução de custos e ganho de escala. A partir das necessidades identificadas nos municípios, que dificultam a implementação de uma gestão integrada de RCC, foram definidas as ferramentas adequadas para o sistema suprir as demandas, de modo que haja uma integração. Por fim, desenvolveu-se o Sistema de Gestão Consorciada de Resíduos da Construção (SIGECON). Foi estabelecido o modelo conceitual e a instanciação dos três módulos do sistema. A partir da etapa de estruturação, realizou-se a codificação do software. Após a codificação, realizou-se a integração dos módulos e a validação do software, para verificação da aplicabilidade do sistema. O SIGECON foi testado e validado na UGRHI 12. Conclui-se que o sistema de apoio favorece a implementação da gestão consorciada de RCC em municípios brasileiros, ao dispor de ferramentas de controle e otimização, bem como um banco de dados que permite a adequação dos municípios à realidade da região.