Em vista dos reflexos da pandemia da COVID-19, esta pesquisa investigou a experiência da organização social de Economia Solidária pela ótica da Gestão Social na Ilha Grande, Angra dos Reis/RJ. No tocante às políticas públicas, através da Lei Aldir Blanc (LAB), destinada ao setor cultural, que dispõe sobre as ações emergenciais aos trabalhadores do setor. A organização social em torno da cultura popular e economia solidária se deu a partir da ação do Coletivo de Educação Solidária, através da realização do projeto do Circuito Fluminense de Cultura Populare Economia Solidária (CF Ecosol), que visava mitigar os impactos da pandemia. A Ilha Grande recebeu recursos da LAB, em etapa proposta atrelada ao movimento de Economia Solidária estadual. Através da parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, pela atuação do Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas, foi estabelecida a participação do Coletivo Educação Solidária no Observatório Territorial da Baía da Ilha Grande, pela qual se deu o acompanhamento do projeto do CF Ecosol- etapa Ilha Grande/RJ, e o apoio em forma de capacitações e auxílio à realização de oficinas preparatórias para a participação local na 6ª Plenária do Fórum de Cooperativas Populares do Estado do Rio de Janeiro. Partindo-se deste contexto, este trabalho buscou elucidar “como a organização social promove a implementação da economia solidária a partir da gestão social para o desenvolvimento territorial sustentável na Ilha Grande - Angra dos
Reis/RJ?”. A metodologia utilizada foi de um estudo de caso, de natureza qualitativa e de caráter exploratório. A triangulação dos dados foi a partir da combinação da observação direta por meio do bate-papo do Colegiado da Baía da Ilha Grande/RJ, das reuniões do Observatório Territorial, das reuniões promovidas pelo CF Ecosol; análise documental das normativas da LAB e do CF Ecosol; questionário estruturada para os atores da etapa do circuito na Ilha Grande. Buscou-se analisar a aplicação da LAB e a participação social através da experiência de realização do circuito. O desenvolvimento territorial sustentável foi discutido na ótica da Gestão Social, pelo viés do gerenciamento participativo em iniciativas da Economia Solidária. A ação de extensão universitária em torno da Gestão Social, foi importante para a consolidação do processo de organização social local, pela afirmação dos valores de solidariedade e da emancipação social de caiçaras e moradores da Ilha Grande, em torno da produção da cultura popular, da pesca artesanal e produção de alimentos. Considera-se ainda que a integração da universidade com a organização social no território, facilitou processos de reconhecimento e representação de lideranças locais em espaços de tomada de decisão. Diante disso, salienta-se a relevância das ações extensionistas praticadas nas Instituições de Ensino Superior com as comunidades, assim, além do diálogo aberto há também o desenvolvimento de transferências de tecnologias sociais, condição importante para a promoção do desenvolvimento territorial sustentável.