O presente trabalho propõe uma reflexão sobre as histórias em quadrinhos japonesas, o manga, em especial aquelas voltadas ao público feminino, shōjo, e, mais especificamente, às que envolvem relacionamentos homoafetivos masculinos, ou seja, os atualmente denominados Boys’ Love ou, como são mais conhecidos no
Ocidente, yaoi. Para tal, iniciamos com um panorama da literatura gráfico-visual japonesa, demonstrando sua importância e enraizamento no país por meio de levantamento cronológico de publicações de manga e relativas ao tema, e com base em estudos como o de Suzuki, 2005; LUYTEN, 2000 e SANTOS, 2011. Em seguida, passamos ao estudo da cultura da homossexualidade masculina no Japão, a qual traça a seguinte linha: absorção da herança do Império Chinês, com os primeiros registros literários; as tradições homoafetivas monásticas e dos samurai à burguesia de Edo; a atuação da “modernidade” e do Imperialismo de Meiji; o pós-Segunda Guerra e influências desta; a Era da Internet e os mitos e as realidades sociais por meio de pesquisadores como LUYTEN, 2000; MOLINÉ, 2004; SATO, 2005 e 2007; GRAVETT, 2006; MACWILLIAMS, 2008. Na sequência, utilizando-nos dos estudos de LEUPP, 1997 e recorrendo a levantamentos feitos em websites diversos, no tocante ao manga, discorremos sobre: a subcultura homo, a Barazoku e o shōnen ai; um panorama da evolução do shōjo e as inovações com que as mulheres contribuíram como autoras; o estabelecimento do Boys’ Love como tal; e as problemáticas que o envolvem, por exemplo, a figura da fujoshi e o surgimento do Omegaverse. Por fim, através da análise das informações coletadas, foi elaborada uma conclusão a partir da homoafetividade em fluxo, com a história sendo refletida nas páginas dos manga.