A doença periodontal é uma patologia de etiologia multifatorial, onde a resposta imune ao desafio microbiano resulta em ativação de osteoclastos e reabsorção do osso alveolar, culminando com a perda do elemento dental. Com o objetivo de estudar a atividade antimicrobiana e controle da ativação de osteoclastos, compostos extraídos de plantas medicinais (Ocimum americanum L., Ocimum basilicum L., Mentha x villosa Huds, Chenopodium ambrosioides L., Lippia alba (Mill) N.E.Br.) cultivadas no Recôncavo da Bahia foram estudados neste trabalho. A atividade antimicrobiana frente aos micro-organimsos Escherichia coli sensível à trimetoprima e resistente à sulfonamidaCCMB 261, Staphylococcus aureus resistente à estreptomicina e dihidrostreptomicina CCMB 262, Staphylococcus aureus resistente à novobiocina CCMB 263, Aggregatibacter actinomycetemcomitans (ATCC 43717), Fusobacterium nucleatum (ATCC 25586), Porphyromonas gingivalis (ATCC 33277), Bacteroides fragilis (ATCC 25285) foi avaliada por meio da determinação da concentração inibitória mínima e concentração bactericida mínima segundo metodologia proposta pelo CLSI, com modificações. As concentrações de trabalho utilizadas para os ensaios com osteoclastos foram determinadas por meio de estudos prévios de atividade antiproliferativa frente as linhagens tumorais K562 (leucemia), MCF-7 e MDA-231 (câncer de mama). A avaliação da apoptose em osteoclastos foi feita pelo teste TUNEL e por imunocitoquímica para receptor Fas. Os resultados mostraram que os óleos essenciais das plantas estudadas foram mais efetivos em inibir o crescimento dos micro-organismos que os extratos metanólicos, sendo a bactéria E. coli a mais resistente a ação dos compostos. Entre os periodontopatógenos, a bactéria P.gingivalis foi a mais sensível a ação dos compostos e A. actinomycetemcomitans a mais resistente. Os óleos essenciais do gênero Ocimum não foram tóxicos para células humanas e foram capazes de inibir o crescimento de P.gingivalis e F.nucleatum, porém não apresentaram atividade antiosteoclástica. Os extratos metanólicos extraídos das plantas do gênero Ocimum, na concentração de 300 µg.mL-1, foram capazes de induzir apoptose em 100% dos osteoclastos tratados. Os compostos atóxicos limoneno e citral na concentração de 5 µg.mL-1 induziram apoptose em respectivamente, 80% e 100% de osteoclastos. Na concentração de 50 µg.mL-1, os compostos citral, limoneno, carvona, linalol foram capazes de induzir apoptose em osteoclastos. Este trabalho também mostrou que os compostos extraídos das plantas medicinais estudadas apresentaram atividade antiproliferativa, sendo o composto citral mais ativo frente a linhagem K562 (IC50 8,61 ± 1,29 µg.mL-1) e MDA-231 (IC50 41,98 ± 7,45 µg.mL-1) e o composto linalol mais efetivo frente a linhagem MCF-7 (IC50 18,86 ± 1,32 µg.mL-1). Os compostos testados não foram capazes de induzir diferenciação eritróide em células K562, sendo os extratos metanólicos das plantas do gênero Ocimum aqueles que mostraram as melhores atividades antiproliferativas contra a linhagem K562. Com exceção das plantas M. villosa e C. ambrosioides, que foram consideradas tóxicas, as plantas medicinais estudadas mostraram potencial biotecnológico para uso em odontologia, no entanto ensaios in vivo são necessários para comprovar a atividade dos compostos estudados.