Esta pesquisa tem como objeto de estudo o fenômeno da nasalidade fonética em
dados dos três atlas do Norte do Brasil para, em seguida compará-lo aos dados de
um atlas da Região Sudeste. Pretende-se observar se a nasalidade ocorre devido
fatores linguísticos, a fatores sociais ou a ambos. Os atlas em exame são: Atlas
Linguístico do Acre (ALiAC); Atlas Linguístico do Amazonas (ALAM). Atlas
Linguístico Sonoro do Pará (ALiSPA) e Atlas Fonético do Entorno da Baía de
Guanabara (AFeBG). Com base em observações assistemáticas, trabalhamos com
a ideia de que a nasalidade é recorrente nos dados do ALiAC e que haveria
similaridade nos outros dois atlas nortistas, supondo-se uma homogeneidade nos
falares de localidades da região amazônica representadas por esses atlas, assim
como buscaremos atestar estudos que a nasalidade não seria recorrente ao falar da
Região Sudeste. Os resultados mostraram que os atlas do Norte apresentam uma
similaridade de dados e níveis acentuados de nasalidade. O ALiAC apresenta a
superioridade das produções com nasalidade em relação àquelas sem nasalidade,
sendo 86,10% contra 13,46%. No ALAM o índice de nasalidade fonética continua
sendo significativa, sendo 61,85% e 28% de produções não nasalizadas O ALiAC é
o atlas da Região Norte que apresenta o maior índice de nasalidade, 88,46%
produções representadas pelo fenômeno contra 11,18% de não nasalidade. No
AFeBG a categoria com nasalidade continua aparecendo com o maior percentual de
ocorrências, no entanto, notou-se a diferença entre os dois percentuais, produções
com nasalidade e sem nasalidade é reduzida, se comparada aos índices dos dados
dos três atlas do Norte, houve 49,5% de nasalidade e 42,2% de não nasalidade. Em
relação ao fenômeno considerando os fatores extralinguísticos: gênero e faixa etária,
os dados apresentam um equilíbrio entre os percentuais, uma proximidade nas
realizações do grupo masculino e feminino, assim como índices referentes à idade,
com uma diferença mais significativa somente no AFeBG. Dessa forma, dos dois
fatores verificados, o gênero não exerce papel importante nas produções de cada
atlas separado, quanto ao fator faixa etária, este pareceu ser mais atuante nos
dados do AFeBG. Embora o atlas do Sudeste apresenta um índice menor do
fenômeno, o processo existe, assim, inferimos que o fenômeno da nasalidade faz
parte língua, porém em algumas regiões a realização da nasalidade seja mais
acentuada.