O objetivo do trabalho que aqui se apresenta é analisar os elementos poéticos de contestação social produzidos pela banda brasileira de rock metal Sepultura entre os anos de 1984 (época de seu surgimento) a 1996 (época da produção do álbum Roots, o último ainda com a presença de um dos membros fundadores da banda, o músico Max Cavalera). No entanto, desde o seu surgimento na década de 1950 nos Estados Unidos e, posteriormente, na Inglaterra, o rock and roll já evidenciava o seu poder contestatório às normas e convenções sociais estabelecidas. Mesmo após a sua subdivisão em uma miríade de novos estilos roqueiros, ou antes, subgêneros musicais, nos anos posteriores, a atitude contestatória da realidade social acompanhou esses novos estilos de rock. O heavy metal é um desses estilos musicais que produzem uma poética de crítica ao que, genericamente pode ser chamado de sistema. Surgido entre o final dos anos de 1960 e o início dos anos de 1970, o metal se impôs enquanto uma expressão musical, composta por uma sonoridade grave, obscura e ruidosa, e os temas tratados em suas músicas atestam uma multiplicidade temática que abarca desde os elementos relacionados ao ocultismo até a crítica social, sobretudo, direcionada às instituições sociais, tais como: a Igreja, a Política e o Estado. No Brasil, o rock metal emerge em meio ao período de redemocratização do país, no início da década de 1980. Entre inúmeras bandas brasileiras de metal, nenhuma conseguiu alcançar o reconhecimento de fãs e crítica especializada, seja no seu país de origem ou no exterior, quanto o grupo Sepultura. Sob a perspectiva analítica da socióloga norte americana Deena Weinstein, este trabalho analisou os elementos poéticos de contestação social da banda Sepultura focalizando o que esta autora denominou de dimensão sonora, dimensão verbal e, por fim, dimensão visual ou imagética. Assim, buscou-se analisar e compreender os elementos formais de algumas composições do Sepultura, sobretudo, as músicas Dictatorshit que trata das violências perpetradas pelo Estado brasileiro durante a Ditadura Militar de 1964 a 1985 e Manifest que discute o horrenda chacina que ficou conhecida como Massacre do Carandiru, mas também, as imagens e fotos expostas nos encartes dos álbuns da banda, as vestimentas adotadas pelos integrantes do Sepultura e entrevistas com membros e ex-membros do referido grupo sejam feitas pelo autor, sejam expostas em revistas ou vídeos disponíveis na internet. Desta forma, conclui-se que ao longo dos anos de 1984 a 1996 a banda Sepultura produziu uma vasta poética contestatória à realidade social, variando apenas, segundo os alvos prediletos de tais contestações e diferentes materializações de tal postura.