Os β-D-glicanos e α-D-mananos são polissacarídeos constituintes estruturais da parede celular de leveduras e fungos, podendo ser encontrados em outros micro-organismos como bactérias, e também, em plantas e cereais. O grau de ramificação e a natureza da ligação (1-4, 1-6 e 1-3) também diferem esses polissacarídeos entre si. Várias aplicações podem ser atribuídas as glicanos e mananos, a depender do seu tipo, podem atuar como imunomoduladores. Vários trabalhos têm sido publicados, provando a capacidade destes polissacarídeos de estimular macrófagos a produzir citocinas. Outra aplicação desses polissacarídeos está baseada em sua capacidade de causar analgesia, agindo também como antiinflamatório, úteis em vários estados patológicos associados à inflamação. Desta forma, esse trabalho tem como objetivo isolar e caracterizar polissacarídeos de parede celular de quatro fungos diferentes: R. mucilaginosa (CCMB 33d1), Aureobasidium pullulans (CCMB 324), Pseudozyma sp. (CCMB 306), Trichosporonoides sp. (CCMB 298) e estudar sua aplicação biotecnológica, no tocante à capacidade de suprimir a inflamação in vivo. Os fungos foram obtidos da Coleção de Cultura de Micro-organismos da Bahia, localizada na Universidade Estadual de Feira de Santana. As melhores condições de pH, temperatura e/ou tempo de extração fora estudados, aplicando a Metodologia de Superfície de Resposta. Os polissacarídeos extraídos das quatro fontes fúngicas foram submetidos à análise estrutural pelas Espectroscopias na Região do Infravermelho (FT-IV) e de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) e pela Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE). Após as análises dos espectros de IV e RMN, associados ao resultado da composição monomérica obtida por CLAE, após hidrólise ácida, pode-se identificar os polissacarídeos produzidos por Aureobasidium pullulans (CCMB 324), Pseudozyma sp. (CCMB 306) como sendo misturas de β-D-glicanos e α-D-mananos, e composição majoritária de D-glicanos para os polissacarídeos extraídos da parede celular de Trichosporonoides sp. (CCMB 298) e R. mucilaginosa (CCMB 33d1). Os ensaios in vivo de atividade antinociceptiva demonstraram que os polissacarídeos de parede celular extraídos dos fungos isolados do semi-árido nordestino foram capazes de causar analgesia, por provavelmente inibir a produção de mediadores inflamatórios, com exceção do Trichosporonoides sp., pois os testes desse ultimo não foram conclusivos. Assim, o semi-árido nordestino demonstrou ser uma fonte promissora de microrganismos com potencial para a produção de novas biomoléculas capazes de atuar como fonte de possíveis fármacos.