A relação entre o ser, o dizer e o pensar é uma questão central na Filosofia. Com
suas devidas diferenças, desde Parmênides, as posições centrais da tradição filosófica
– empirismo, idealismo e materialismo – e, por conseguinte, da lógica contemporânea,
têm majoritariamente ligado o dizer e o pensar inflexivelmente ao ser e, desse modo, o
não-ser tem sido excluído da categoria de objeto genuíno do pensamento e do discurso,
ora como algo sem significado, ora como algo significativo, mas que nunca é um
constituinte de expressões verdadeiras. No entanto, tais abordagens parecem não se
adequar à natureza intencional do pensamento e ao uso ordinário da linguagem, uma
vez que a esmagadora maioria do discurso e do pensamento humano não se restringe
ao ser, e, com efeito, o não-ser, além de assumido como significativo, é, algumas vezes,
considerado como um constituinte de expressões verdadeiras. No contexto dessa
assimetria entre a Filosofia e o discurso ordinário, no presente trabalho são exibidos
e analisados os matizes epistêmicos, semânticos, lógicos e ontológicos da Teoria dos
Objetos de Alexius Meinong que oferecem bases para uma solução alternativa para
o impasse, por meio de um domínio semântico que subsume tanto o ser como o
não-ser como referentes genuínos no dizer e no pensar, levando em consideração os
panos de fundo histórico e teorético que compreendem aspectos que fundamentaram
motivações, problemas, críticas e alterações à teoria meinonguiana.