Este estudo teve como intenção demonstrar a contribuição da música no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tendo como propósito constatar se, por meio da ação mediadora potente, a música pode contribuir na melhora da qualidade de vida, no desenvolvimento intelectual, social e afetivo das crianças quando submetidas à prática da Educação Musical. O estudo foi realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), vinculado à linha de pesquisa Cultura, Tecnologia e Aprendizagem e ao Grupo de Pesquisa Cultura, Escola e Educação Criadora. O objetivo geral buscou compreender como a música pode contribuir no processo de desenvolvimento das crianças com TEA por meio da ação mediadora. Os objetivos específicos tiveram como intenção: apontar como a literatura apresenta o TEA no contexto social; descrever as experiências vivenciadas por meio da ação mediadora com a música que causam impactos nos aspectos cognitivos, os quais envolvem a linguagem e a interação social das crianças com TEA; analisar como os projetos que utilizam a música como linguagem na Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA), do município de Itajaí, Santa Catarina, oportunizam às crianças seu desenvolvimento cognitivo, social e afetivo por intermédio da ação mediadora. A pesquisa foi de natureza qualitativa, com cunho bibliográfico e documental, tendo como aporte teórico Bauer e Gaskell (2003), Bogdan e Biklen (1994), Marconi e Lakatos (2007) e Banks (2009). O levantamento bibliográfico aconteceu entre o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021, com a seleção de 26 artigos, sete dissertações e cinco teses, e com uma análise documental por meio de vídeos e de um projeto desenvolvido na AMA, do município de Itajaí. Foram selecionados trabalhos dos últimos sete anos para a revisão bibliográfica, os quais apontaram a música como linguagem e agente no desenvolvimento da criança com TEA. Os resultados aferidos indicaram que a Educação Musical, quando bem mediada, pode potencializar o desenvolvimento cognitivo, ampliando habilidades perceptivas no desenvolvimento da linguagem e de demais aspectos relacionados ao avanço das questões de evolução do cérebro, como expansão da imaginação e da criatividade. Sobre o desenvolvimento social, observou-se que as crianças foram direcionadas a conhecer seu contexto cultural, ampliando, assim, sua percepção sobre o mundo. Desse modo, apropriaram-se de novos saberes explorados por meio da cultura e da interação, deixando evidente que a música é um agente potencializador do desenvolvimento humano. Constatou-se que, por meio da interação entre as crianças e os adultos participantes do projeto Percussão, Educação Musical e Autismo, oferecido por Rodrigo Paiva Gudin e Cristina Pozzi, as crianças tiveram a oportunidade de fortalecer a afetividade, a comunicação e a socialização entre si. Destacou-se, também, a importância da formação docente, tanto inicial quanto continuada, para os professores, os quais devem educar-se esteticamente para criarem possibilidades para uma mediação que alarga e abre espaço para a arte e para a cultura como elementos primordiais no processo de aprendizagem e de desenvolvimento do ser humano, neste caso, especificamente, nas crianças autistas.