A partir da LDBEN 9394/96, os cursos de formação inicial têm, enquanto fundamento, a associação da teoria com a prática e, consequente, com a articulação dos componentes de conteúdos específicos com as de conteúdos pedagógicos. Nesse contexto, a prática como componente curricular (PCC) surge como espaço profícuo para superar a dicotomia teoria/prática, rompendo com a estrutura 3 + 1, advinda da criação das licenciaturas. A PCC, nosso objeto de estudo, está presente nos cursos de licenciatura, sendo suas 400h implantadas por meio da Resolução CNE/CP 2/2002. Nesse contexto, indaga-se: como a prática, como componente curricular, contribui na formação inicial dos professores de Matemática no desenvolvimento dos cursos de licenciatura, no Tocantins? Como objetivo geral, investigou-se se a prática como componente curricular, segundo o projeto pedagógico de curso e formadores, das licenciaturas em Matemática presenciais, de instituições públicas do estado do Tocantins, contribui à formação inicial dos professores. Nossa tese é que a PCC se constitui como espaço profícuo na matriz curricular das licenciaturas para integrar a teoria prática, contribuindo à formação dos futuros professores das licenciaturas. Os principais referenciais teóricos para este estudo são: Antonio Nóvoa (1992, 1999, 1999a), John Dewey (1927, 1979, 1979a, 1979b), Carlos Garcia (1992), Pérez Gomez (1992), Doll Junior (1997) e Sánchez Vázquez (2011). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujos dados foram obtidos a partir de pesquisa bibliográfica e documental, através da análise dos documentos oficiais e pertinentes aos cursos investigados. O propósito foi o de explorar o percurso da PCC nos documentos oficiais que orientam a formação inicial dos professores no Brasil. Também, analisou-se como a PCC é estruturada nos projetos pedagógicos dos cursos de licenciatura em Matemática, lócus dessa pesquisa. Em um segundo momento foram realizadas aplicações de questionário e entrevista semiestruturada, com 11 professores de duas instituições públicas do estado do Tocantins (Universidade Federal do Tocantins e Instituto Federal do Tocantins). O objetivo foi averiguar quais compreensões/concepções e experiências vivenciadas, os professores formadores possuem sobre a PCC. Para a análise dos dados da pesquisa, foi empregado os elementos da análise de conteúdo de Bardin (2016) e Franco (2005). Da análise dos projetos pedagógicos em relação a PCC, verificamos que todos atendem a legislação quanto a sua alocação e carga horária; há predominância de sua distribuição em componentes pedagógicas e como parte das componentes. A PCC apresenta-se como o momento de experienciar situações, aproximação com as escolas de educação básica e relacionar o que está sendo estudado com o modo que será visto na prática. Em relação aos formadores, a PCC ainda não se efetivou nos cursos por falta de compreensão, ausência de discussão, de planejamento, de sistematização e de acompanhamento dessa atividade formativa. Para tanto, depreendemos serem necessários estudos em grupo, discussões coletivas para seu planejamento, espaço de socialização das atividades desenvolvidas, integração das componentes com carga horária de PCC e do grupo de professores que a ministram, como também sua sistematização e acompanhamento. Sugere-se fortemente a criação de instrumentos para acompanhar e medir a efetividade da PCC nos cursos, no sentido de apoiar ações futuras e contribuir com sua implementação efetiva.