Os acontecimentos que marcaram os anos entre 1968 e 1988, no Brasil, indicam a eclosão de variados movimentos estéticos, trata-se, portanto, de um momento histórico em que aconteciam, das artes plásticas à música, uma crescente participação de mulheres no cenário cultural do país. Tomando Rita Lee como personagem conceitual, este trabalho pretende abordar as vivências femininas que se processavam desde as obras visuais de Lygia Clark, passando pelas transgressões das atrizes Leila Diniz e Norma Bengell, até a inserção musical de mulheres como Nara Leão, Wanderléa, Celly Campello, Gal Costa, Maria Bethânia e a própria Rita Lee. Com isso, ganha destaque as composições da cantora que viveu durante os anos de regime militar no Brasil, tanto em sua atuação nas bandas Os Mutantes e Tutti Frutti quanto em suas incursões com o marido Roberto de Carvalho ou nos trabalhos solo. Através de suas composições e trajetória, Rita Lee inscrevia-se como uma figura ordinária da antidisciplina ao tematizar, sobretudo, a sexualidade e o prazer feminino. A partir da análise de diferentes linguagens de fontes como letras de músicas, capas de discos, entrevistas, documentários, material hemerográfico como jornais digitalizados, exames censórios, biografias e autobiografias, o presente trabalho, trata-se, pois, da compreensão e análise das vivências femininas, no tocante a sexualidade e aos papéis impostos ao gênero, por meio de práticas micropolíticas das atuações de artistas que viveram os anos aqui mencionados.