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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
CIÊNCIAS DA LINGUAGEM (23002018073P9)
Do Silenciamento ao Protagonismo: Cantos de Si, Resistência e Representações Femininas em Canções do Gênero Pop Internacional
MARCELA AIANNE REBOUCAS
DISSERTAÇÃO
06/06/2023

Tomando o campo das artes como esfera de manifestação e propagação de saberes, a presente pesquisa volta-se para o discurso artístico-musical em sua dimensão política, problematizando as vozes que emergem de canções do gênero pop internacional e questionando seus efeitos de sentido na sociedade contemporânea. Partindo de um saber de igualdade, fundamentado na conquista de alguns direitos pelas mulheres, a pesquisa ambiciona investigar as manifestações da linguagem musical em seu caráter denunciativo e político. Por isso, temos como objetivo analisar, nas manifestações artísticas do gênero pop internacional performadas por mulheres, como os sujeitos femininos produzem uma crítica discursiva, fazendo emergir uma descontinuidade nos modos de representação e subjetivação feminina. Ao mesmo tempo, também pretende-se investigar e dar visibilidade ao modo como os corpos reagem às manifestações de poder, isto é, o modo como resistem, se opõem e desobedecem aos princípios androcêntricos, fazendo surgir representações femininas distintas daquelas produzidas por mãos masculinas. Para tanto, foram escolhidas oito canções, selecionadas a partir de uma delimitação de enunciados dispostos no arquivo do feminismo contemporâneo, datadas de 2010 a 2021 e de autoria distinta. São elas: The Man, de Taylor Swift; If I Were a Boy, de Beyoncé; Woman’s World, do grupo Little Mix; Ain’t Your Mama, de Jennifer Lopez; Woman, de Kesha; Flawless (feat. Chimamanda Ngozi Adichie), de Beyoncé; Most Girls, de Hailee Steinfeld e Build a Bitch, de Bella Poarch. A escolha destas para a composição do corpus justifica-se pelo contraste que demonstram entre homens e mulheres na sociedade, denunciando práticas disciplinares que visam tornar os corpos femininos dóceis no modo de expressar seus sentimentos e emoções, bem como na forma como se vestem e se portam. Teórica e metodologicamente vinculada aos Estudos Discursivos Foucaultianos, esta pesquisa tem como base os escritos de Michel Foucault (2004, 2011, 2014a, 2014b, 2020a, 2020b, 2021). Para empreender uma investigação que se volta para as relações de poder-saber, realizamos uma arqueogenealogia, analisando as materialidades verbais das letras das canções, tomando-as como enunciados. Dessa forma, lidas do ponto de vista das ciências da linguagem, as contribuições do pensador francês estarão em diálogo com outros estudos, marcando o caráter transdisciplinar desta pesquisa, que estabelece um diálogo com as demais ciências humanas e sociais. Assim, autores como Pierre Bourdieu (2015) e teóricas feministas como Margaret McLaren (2016), Michele Perrot (2019), Margaret Rago (2013), Angela Davis (2016), bell hooks (2019, 2020), entre outros que tratam da cultura pop, como Janotti Júnior (2006, 2015) e Soares (2015), são fundamentais para a discussão que desenvolvemos. Com este empreendimento, explicitamos o jugo desigual presente na sociedade contemporânea, de modo a verificar e atestar o exercício de práticas machistas e opressoras construídas histórica, social e culturalmente, que visam subjugar a mulher e diminuí-la. Mais precisamente, através das canções selecionadas, objetivamos demonstrar como os sujeitos femininos produzem uma crítica discursiva, fazendo emergir uma descontinuidade nos modos de representação e subjetivação feminina. Os resultados, que explicitam o protagonismo feminismo mesmo diante do exercício do machismo em práticas de interdição na atualidade, apontam para a resistência feminina – nas mais diversas dimensões, públicas e privadas – atrelada a uma técnica do cuidado de si, caracterizada por nós como canto de si, em uma atualização das categorias foucaultianas.

Canções;Representações Femininas;Resistência;Cantos de Si;Foucault
Taking the field of the arts as a sphere of manifestation and propagation of knowledge, this research focuses on the artistic-musical discourse in its political dimension, problematizing the voices that emerge from songs of the international pop genre and questioning their effects of meaning in contemporary society. Derived from a knowledge of equality, based on the achievement of some rights by women, the research aims to investigate the manifestations of musical language in its denunciative and political character. Therefore, our goal is to analyze, in the artistic manifestations of international pop gender performed by woman, how They make a discursive critic, making emerge a discontinuity in the ways of feminine representation and subjectivation. At the same time, it is also intended to investigate how bodies react to manifestations of power, in the sense of, how they resist, oppose and disobey androcentric principles, giving rise to female representations that are different from those produced by male hands. For this purpose, eight songs were chosen, selected from a delimitation of statements arranged in the contemporary feminism archive, dated from 2010 to 2021 and of different authorship. The songs are: The Man, by Taylor Swift; If I Were a Boy, by Beyoncé; Woman's World, by the group Little Mix; Ain't Your Mama, by Jennifer Lopez; Woman, by Kesha; Flawless (feat. Chimamanda Ngozi Adichie), by Beyoncé; Most Girls by Hailee Steinfeld and Build a Bitch by Bella Poarch. The choice of these songs for the composition of the corpus is justified by the contrast they demonstrate between men and women in society, denouncing disciplinary practices that aim to make female bodies docile in the way they express their feelings and emotions, as well as in the way they dress and behave. Theoretically and methodologically linked to Foucauldian Discursive Studies, this research is based on the writings of Michel Foucault (2004, 2011, 2014a, 2014b, 2020a, 2020b, 2021). In order to undertake an investigation that focuses on power-knowledge relations, we carried out an archeogenealogy, analyzing the verbal materialities of the lyrics of the songs, taking them as statements. In such manner, the French thinker's contributions will be in dialogue with other studies, marking the transdisciplinary character of this research, which establishes a dialogue with the human and social sciences. Thus, authors such as Pierre Bourdieu (2015) and feminist theorists such as Margaret McLaren (2016), Michele Perrot (2019), Margaret Rago (2013), Angela Davis (2016), bell hooks (2019, 2020), among others who deal with pop culture, such as Janotti Júnior (2006, 2015) and Soares (2015), are fundamental to the discussion developed. With this undertaking, we aim to explain the unequal yoke present in contemporary society, in order to verify and attest to the exercise of sexist and oppressive practices historically, socially and culturally constructed, which aim to subjugate women and diminish them. More precisely, through the selected songs, we aim at how female subjects produce a discursive critique, giving rise to a discontinuity in the modes of female representation and subjectivation. The results, which make explicit the feminist role even in the face of the exercise of sexism and interdiction practices today, point to female resistance – in the most diverse dimensions, public and private – linked to a self-care technique, characterized by us as a song of the self, in an update of Foucauldian categories.
Songs;Female Representation;Resistance;Songs of the Self;Foucault
164
PORTUGUES
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
O trabalho possui divulgação autorizada
Marcela.pdf

Contexto

Linguagens e Sociedade
LINGUAGENS E PRÁTICAS SOCIAIS
Por uma análise do discurso do presente: práticas de saber, poder e subjetividade na sociedade brasileira

Banca Examinadora

EDGLEY FREIRE TAVARES
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
AMANDA BATISTA BRAGA Participante Externo
EDGLEY FREIRE TAVARES Docente - PERMANENTE
PAMELLA ROCHELLE ROCHANNE DIAS DE OLIVEIRA Participante Externo

Vínculo

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Não
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