Entendidas como categoria das novas tecnologias, as tecnologias digitais são ferramentas que podem contribuir com a educação. Ocorre que, na prática social, as relações de interdependência entre as condições objetivas e subjetivas exercem influências recíprocas nos contextos sociais — e, em especial, no contexto formal da educação. Diante disso, a seguinte problemática é colocada: em que medida as tecnologias digitais — e, mais especificamente, a prática cineclubista — pode contribuir para um processo dialógico e libertador na educação básica no âmbito da formação continuada em Direitos Humanos na modalidade de educação especial? Consonante a essa questão, o objetivo geral consiste na elaboração de uma proposta flexível e complementar de cineclube para o processo de formação continuada, na perspectiva freireana dos Direitos Humanos, com professores que atuam na
modalidade de educação especial, no nível da educação básica. Já os objetivos específicos contemplam: a) analisar as possibilidades do uso das tecnologias digitais para um processo educacional dialógico e libertador; b) identificar os mecanismos que podem intensificar a exclusão e a desigualdade social na educação; c) estabelecer possíveis relações entre a fome, a meritocracia e a nota escolar; d) analisar alguns fundamentos acerca do processo de democratização fundamental da educação; e) refletir sobre o processo de formação continuada em Direitos Humanos; f) estruturar, por meio de exemplos, possibilidades formativas que se apresentam com a prática cineclubista. A perspectiva de análise é fenomenológica, considerando, sobretudo, as contribuições das obras de Paulo Freire (1983, 1986, 1996, 2001, 2013) e Dartigues (1992). A abordagem da pesquisa é quali-quantitativa e exploratória, adotando-se procedimento bibliográfico e documental. Os resultados indicam que a prática cineclubista, quando criteriosamente planejada frente às perspectivas dialógicas e libertadoras freireanas, pode contribuir para reflexões e ações pedagógicas na educação básica, na modalidade de educação especial, com
incidência para além do espaço formal de educação. Contraditoriamente, embora prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN), essa prática ainda não se encontra consolidada, demandando conscientização acerca da necessidade e importância de investimentos em políticas públicas para sua implantação e implementação como parte integrante no processo de democratização fundamental da educação.