As empresas de construção civil têm importância considerável para economia do Brasil e das municipalidades, gerando impactos no meio ambiente, bem como na fisionomia das cidades. As discussões tecidas ao longo desta tese procuraram demonstrar esses fatos no contexto do espaço urbano de Uberlândia/MG, um bom exemplo dessa atuação. Tais corporações são agentes sociais relevantes para o município, modificando seu espaço geográfico. Para que uma construção seja sustentável, é imprescindível a adoção de um conjunto de ações, capazes de diminuir o consumo de energia, água e recursos naturais diversos, de modo que componham as matérias-primas básicas de construção. Isso deve ocorrer não apenas na concepção de projetos, mas também nas fases de construção e ocupação de imóveis por seus moradores. O objetivo central deste estudo é analisar as práticas de sustentabilidade ambiental empresarial do setor de construção civil com foco na MRV Engenharia em Uberlândia. Os procedimentos metodológicos utilizados foram: levantamento bibliográfico sobre os conceitos de sustentabilidade ambiental, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade empresarial; pesquisa de dados secundários sobre empresas de construção civil, de práticas de sustentabilidade ambiental colhidos em seus websites e de seus relatórios de sustentabilidade. Dessa forma, foi possível compor um panorama de atuação da MRV Engenharia no Brasil e em Uberlândia. Além disso, foram realizadas entrevistas on-line com representantes da companhia e síndicos dos 11 prédios construídos pela empresa na cidade. Por meio de imagens de localização desses empreendimentos, nos anos de 2007 e 2022, identificamos mudanças no espaço urbano de Uberlândia. Isso contribuiu para a ampliação de loteamentos para a inserção de condomínios verticais nas regiões Sul, Oeste, Leste e Sul do município. As entrevistas evidenciaram que suas práticas ambientais são cumpridas para atendimento a requisitos legais por meio do uso de novas tecnologias de construção; análises do ciclo de vida dos empreendimentos; gestão responsável e eficiente de água, energia e emissões; uso, reúso e descarte de materiais; proteção do meio ambiente; redução de possíveis impactos ambientais. Entretanto, constatamos que muitas dessas e outras práticas se concentram no processo construtivo, em iniciativas sociais pontuais, com poucos impactos transformadores no contexto das cidades que abrigam seus empreendimentos. A partir dos dados e informações levantadas, verificamos também que as ações de foco sustentável da MRV Engenharia são relativamente modestas, tendo em vista sua atuação em 163 cidades de diferentes regiões brasileiras e com ampla demanda em diferentes áreas. Por sua vez, as entrevistas com os síndicos indicaram que as práticas mais significativas nos 11 edifícios foram: coleta seletiva de resíduos sólidos, redução do consumo de água, bem como uso da energia solar em espaços comuns. De modo geral, os síndicos exibiram uma visão simplista do real significado de sustentabilidade ambiental, em grande parte, restrita à coleta seletiva de resíduos e implantação/fornecimento de energia solar. Constatamos também problemas na gestão de coleta de resíduos, feita de maneira desarticulada da cidade. Além disso, em muitos casos, as ditas boas práticas (coleta seletiva e economia de energia) geralmente se restringiam ao espaço interno dos condomínios. Portanto, houve poucos desdobramentos de ações no sentido de mudar condições sociais e econômicas de modo abrangente, ou seja, com impacto sobre a estrutura do município, bem como sobre as condições de vida de sua população.