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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
Educação Presencial
Vozes e silêncios movimentando mundos: a criança Huni Kuin em uma escola de educação infantil de Santa Rosa do Purus-Acre
MARCIA BARROSO LOURETO
TESE
05/07/2023

A partir de observações sobre as práticas desenvolvidas na rotina pedagógica da Escola de Educação Infantil Francisco Rabelo de Sá, situada na cidade de Santa Rosa do Purus, Acre, e também sobre outros aspectos culturais presentes nas interações entre as crianças Huni Kuin e as demais crianças, e dessas com suas professoras, objetivou-se compreender como os diferentes discursos que constituem as relações estabelecidas nas práticas pedagógicas, formadas pelas diferentes linguagens (a oral, a escrita, as artes plásticas, a dança, a música, as histórias lidas e dramatizadas, dentre outras ), podem dar visibilidade e fazer emergir, ou não, a voz das crianças Huni Kuin (Kaxinawá). A metodologia utilizada é a análise dos discursos de base foucaultiana, porém, considerando que as análises previstas na pesquisa envolvem outros conceitos, além dos foucaultianos, dentre eles identidade, interculturalidade, entrelugares, resgataram-se teóricos que auxiliam nesses e em outros aspectos inerentes ao contexto. A pesquisa tem característica qualitativa com enfoque nos estudos coloniais. As categorias de análise envolvidas são: identidade, cultura/interculturalidade, poder e sujeito, as quais foram selecionadas em consonância com o que foi construído a partir dos estudos, e momentos de interação que se deram com a gestora da escola, coordenadoras, professoras, familiares das crianças Huni Kuin, ex-alunos do curso de Pedagogia e alguns representantes desses povos que residem na cidade de Santa Rosa do Purus. Quanto aos aspectos teóricos-metodológicos, o diálogo foi estabelecido com a produção de autores como Foucault (1955, 1979, 1995, 2000, 2010, 2013, 2014a, 2014b), Bauman (2001), Walsh (2013), Silva (1998), Candau (2008), Hall (1996, 1997, 2002, 2005) e Bhabha (1998) e com representantes dos povos indígenas, como Kaxinawá (2014), Baniwa (2019), dentre outros, utilizando, além de conversas informais, entrevistas semiestruturadas virtuais e presenciais gravadas, observações à dinâmica pedagógica da instituição selecionada. Além das informações produzidas no campo da pesquisa, foram analisados documentos sobre a educação infantil, como o Currículo de Referência Único do Acre (CRUA) para a Educação Infantil (ACRE, 2019) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Com o objetivo de compreender como se constituem as linguagens e outros aspectos culturais (de professores e alunos) presentes nas relações estabelecidas nas práticas pedagógicas da escola pesquisada, que tem as crianças Huni Kuin nela matriculadas, surgiram as seguintes questões: Como a escola se porta frente a essa hibridização que lhe é apresentada? Suas práticas pedagógicas favorecem ou não a visibilidade, valorização cultural das crianças indígenas e suas famílias, mais especificamente as crianças Huni Kuin? Tomando como base esses questionamentos, os resultados alcançados na pesquisa emergiram das observações e análises realizadas a partir das diferentes linguagens trabalhadas na rotina pedagógica da escola, o que tornou evidente que não há uma atenção dos educadores para as diferenças culturais das crianças Huni Kuin e seus familiares, assim como é incoerente a justificativa de que a língua é o principal fator de impedimento da interação das crianças Huni Kuin e de seus familiares. Acredita-se que esta pesquisa trará grandes contribuições para a interculturalidade no espaço escolar, pois, convida à Escola de Educação Infantil de Stª Rosa do Purus, Francisca Rêbelo de Sá, e demais escolas que compõem essa primeira etapa da educação básica, a fazerem do trabalho com as diferentes linguagens oportunidades para a livre expressão das crianças, promovendo interações que permita fluir os elementos característicos da identidade étnica dos povos Huni Kuin, bem como das demais culturas que atravessam os espaços da educação infantil. Acredita-se que assim será possível a disseminação de práticas de resistência nos espaços da educação infantil, corroborando para o rompimento dos silêncios e invisibilidade cultivada nas relações que envolvem os povos originários ao longo de nossa história.

Criança Huni Kuin;educação infantil;interações, identidades e sujeitos
From observations on the practices developed in the pedagogical routine of the Francisco Rabelo de Sá School of Early Childhood Education, located in the city of Santa Rosa do Purus, Acre, and also on other cultural aspects present in the interactions between Huni Kuin children and other children and of these with their teachers, the aim was to understand how the different discourses that constitute the relationships established in pedagogical practices, formed by different languages (oral, writing, plastic arts, dance, music, stories read and dramatized, among others ), can give visibility and make the voice of Huni Kuin (Kaxinawá) children emerge, or not. The methodology used is the analysis of speeches based on Foucault, however, considering that the analyzes provided for in the research involve other concepts, in addition to Foucauldians, among them identity, interculturality, between places, theorists who help in these and other aspects inherent to the context were rescued. The research has qualitative characteristics with a focus on colonial studies. The categories of analysis involved are identity, culture/interculturality, power and subject, which were selected in line with what was built from the studies, and moments of interaction that took place with the school manager, coordinators, teachers, relatives of the Huni Kuin children, former students of the Pedagogy course and some representatives of these peoples who live in the city of Santa Rosa do Purus. As for the theoretical-methodological aspects, the dialogue was established with the production of authors such as Foucault (1955, 1979, 1995, 2000, 2010, 2013, 2014a, 2014b), Bauman (2001), Walsh (2013), Silva (1998) , Candau (2008), Hall (1996, 1997, 2002, 2005) and Bhabha (1998) and with representatives of indigenous peoples, such as Kaxinawá (2014), Baniwa (2019), among others, using, in addition to informal conversations, semi-structured virtual and face-to-face recorded interviews, observations of the pedagogical dynamics of the selected institution. In addition to the information produced in the research field, documents on early childhood education were analyzed, such as the Unique Reference Curriculum of Acre (CRUA) for Early Childhood Education (ACRE, 2019) and the Law of Guidelines and Bases of National Education (LDBEN). With the aim of understanding how the languages and other cultural aspects (of teachers and students) are present in the relationships established in the pedagogical practices of the researched school, which has Huni Kuin children enrolled in it, the following questions arose: How does the school behave in front of to this hybridization that is presented to you? Do your pedagogical practices favor or not the visibility, cultural appreciation of indigenous children and their families, more specifically Huni Kuin children? Based on these questions, the results achieved in the research emerged from the observations and analyzes carried out from the different languages worked on in the school's pedagogical routine, which made it evident that there is no attention from educators to the cultural differences of Huni Kuin children and their family members, just as the justification that language is the main impediment to interaction between Huni Kuin children and their families is incoherent. It is believed that this research will bring great contributions to interculturality in the school space, as it invites Francisca Rêbelo de Sá, Stª Rosa do Purus School of Early Childhood Education, and other schools that make up this first stage of basic education, to make the work with different languages opportunities for children's free expression, promoting interactions that allow the characteristic elements of the ethnic identity of the Huni Kuin peoples to flow, as well as of the other cultures that cross the spaces of early childhood education. It is believed that in this way it will be possible to spread resistance practices in the spaces of early childhood education, corroborating the breaking of silences and invisibility cultivated in the relationships that involve the original peoples throughout our history.
Huni Kuin child;child education;interactions, identities and subjects
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243
PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
TESE - Marcia Barroso Loureto.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
LÍNGUA(GENS) E FORMAÇÃO DOCENTE
Observatório de epistemologias e práticas curriculares: formação e atuação de professore(a)s das cidades, dos campos e das florestas

Banca Examinadora

VALDA INES FONTENELE PESSOA
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
SHELTON LIMA DE SOUZA Docente - PERMANENTE
EMERSON CARVALHO DE SOUZA Participante Externo
VALDA INES FONTENELE PESSOA Docente - PERMANENTE
JOAQUIM PAULO DE LIMA KAXINAWA Pós-Doc
ALEXANDRA APARECIDA DE ARAUJO FIGUEIREDO Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 16

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
Plataforma Sucupira
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