Desde 1943, quando o primeiro estudo sobre autismo foi publicado pelo psiquiatra Leo Kanner em sua obra “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”, a sociedade procura maneiras de melhor integrar esses indivíduos em sua dinâmica. Não muito distante dessa época, em 1944, surgiu a musicoterapia, que objetiva utilizar estímulos sonoro-musicais para melhorar a comunicação e estimular a relação, motivação e aprendizagem de pessoas com deficiências. Hoje, na era digital, novas maneiras de educar e preparar se misturam com as clássicas, entre elas, os jogos sérios, que visam gerar conhecimento de forma lúdica, divertida e relaxante. Visando contribuir com a inclusão de crianças portadoras do espectro do transtorno do autismo, e também contribuir para essa mistura entre clássico e moderno, esse projeto de mestrado almeja o desenvolvimento de um jogo sério com a temática voltada à música e musicalidade. O jogo foi desenvolvido para a plataforma Android, utilizando o motor de jogos, Unity, e contém fases como: quebra-cabeças, jogos de memória, homenagens a jogos clássicos, fases com realidade aumentada, entre outras. O foco do jogo é auxiliar de maneira lúdica, inclusiva e divertida no desenvolvimento pessoal e cognitivo, observando as características do Transtorno do espectro autista (TEA), tais como dificuldade na comunicação social, comportamentos restritivos e/ou repetitivos, entre outras. O desenvolvimento do jogo também considerou os tratamentos para TEA, como terapia, fonoaudiologia, musicoterapia, psicomotricidade, entre outros. O jogo passou por três validações: A primeira validação foi realizada com a análise de seis especialistas multidisciplinares divididos em dois grupos (especialistas em saúde e em tecnologia e jogos), obtendo uma classificação de excelente pelo Índice de validade de conteúdo (IVC). A segunda validação foi realizada em 3 sessões com 23 crianças que frequentam a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Sobral, com o preenchimento do instrumento EGameFlow pelo responsável que as acompanhou, obtendo uma média geral de 6,36 de 7,00. A terceira avaliação foi feita através da análise das estatísticas do jogo ao ser utilizado pelas crianças da APAE.