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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
Entre palavras proféticas e enunciações do corpo: história, silenciamentos e táticas de sobrevivência elaboradas em diásporas haitianas
ARMSTRONG DA SILVA SANTOS
TESE
28/07/2023

Esta tese analisa narrativas elaboradas por (ou acerca de) haitianos(as) diaspóricos(as), destacando relações de subalternidade e resistência vinculadas a questões raciais e nacionais nos caminhos que unem Brasil e Haiti. Foram alinhavados como fontes de pesquisa, textos historiográficos, literários, jornalísticos e documentos oficiais produzidos acerca dos trânsitos diaspóricos desses sujeitos. Fontes que foram postas em relação com o acompanhamento e registro de diferentes situações vivenciadas e/ou narradas por seis homens e três mulheres com quem pudemos conversar e gravar entrevistas. Esses registros foram importantes na compreensão de processos nos quais esses homens e mulheres diáspora produzem criativas formas de uso dos espaços, tendo por base o agenciamento de passados exemplares, a reformulação de narrativas religiosas e modos de tradução na luta pela sobrevivência e em busca de dias melhores. Nesta direção, nos inspiramos em intelectuais como Hall (2003) e Handerson (2015) para pensar a diáspora como processo de ressignificação identitária e espacial mediada pela linguagem; Glissant (2005), Churata (s.d; 2013), Carpentier (1985) e Hurbon (1987) para compor um quadro das culturas concebidas como construções cambiantes de contatos rizomáticos, que reivindicam a crítica à estrutura do tempo e do espaço a partir de pequenos indícios; de religiosidades recompostas para narrar a história como poética de encontros, desencontros e relações; Trouillot (2016) e Orlandi (2007) para discutir processos de silenciamento que têm apagado memórias de corpos, sujeitos e espaços; Antonacci (2014), Benjamin (1987) e Mbembe (2018) para a discussão acerca da permanência, tanto de processos de racialização (do tempo, do espaço e dos sujeitos) quanto dos modos de resistência que emergem em paisagens, religiosidades, palavras e corpos nas diásporas negras atuais; Agamben (2002) foi adotado enquanto crítica a projetos linguísticos de hierarquização da vida em escalas de valor ou desvalor que, entre outras práticas, legitimaram a escravização de povos e destruição de culturas; Lepecki (2012) para analisar o refazer dos espaços pelo movimento dos sujeitos, na disputa com poderes gerenciados por instituições dos locais de passagem, acolhida ou destino. As análises apontam que as diásporas haitianas atuais são catalisadoras de denúncias inscritas em corpos racializados, que agenciam memórias, palavras e gestos contestatórios de um universo de injustiças que duram séculos. Esses corpos diaspóriocos haitianos interpelam seus interlocutores para que estes se posicionem diante das violências naturalizadas pela lógica do tempo linear, presente nos discursos do progresso, reivindicando para si o direito de pertencerem à humanidade; de reformularem os espaços com a escrita de suas ações. Com suas palavras proféticas e enunciações do corpo, eles(as) alertam o tempo presente quanto aos perigos do racismo e da mercantilização da vida.

Diáspora Haitiana;Silenciamento;Enunciação;Corpo;Coreopolítica
This thesis analyzes narratives written by (or about) diasporic haitians, highlighting relationships of subalternity and resistance linked to racial and national issues in the paths that unite Brazil and Haiti. As research sources, historiographical, literary, journalistic texts and official documents produced about the diasporic transits of these subjects were aligned. Sources that were related to the monitoring and recording of different situations experienced and/or narrated by six men and three women with whom we were able to talk and record interviews. These records were important in understanding the processes in which these diaspora men and women produce creative ways of using spaces, based on the agency of exemplary pasts, the reformulation of religious narratives and modes of translation in the struggle for survival and in search of days best. In this direction, we are inspired by intellectuals such as Hall (2003) and Handerson (2015) to think of the diaspora as a process of identity and spatial resignification mediated by language; Glissant (2005), Churata (s.d; 2013), Carpentier (1985) and Hurbon (1987) to compose a framework of cultures conceived as currency constructions of rhizomatic contacts, which claim criticism of the structure of time and space to bake in small evidence; of recomposed religiosities to narrate history as a poetic of encounters, mismatches and relationships; Trouillot (2016) and Orlandi (2007) to discuss silence processes that have erased memories of bodies, subjects and spaces; Antonacci (2014), Benjamin (1987) and Mbembe (2018) for the discussion about the permanence of both racialization processes (time, space and subjects) and the ways of resistance that emerge in landscapes, religiosities, words and bodies in current black diasporas; Agamben (2002) was adopted as a criticism of linguistic projects for the hierarchy of life in scales of value or devaluation that, among other practices, legitimized the enslavement of peoples and destruction of cultures; Lepecki (2012) to analyze the remaking of spaces by the movement of the subjects, in the dispute with powers managed by institutions of places of passage, welcome or destination. The analyzes point out that current Haitian diasporas are catalyzing of denunciations inscribed in racialized bodies, who agrees memories, words and contestatory gestures of a universe of injustices already last centuries. These haitian diaphopric bodies challenge their interlocutors so that they position themselves in the face of violence naturalized by the logic of linear time, present in the discourses of progress, claiming to themselves the right to belong to humanity; to reformulate the spaces with the writing of their actions. With their prophetic words and body utterances, they warn the present tense as to the dangers of racism and the commodification of life.
Haitian Diaspora;Silence;Enunciation;Body;Choreopolitics
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
Tese - Armstrong da Silva Santos.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
CULTURAS, NARRATIVAS E IDENTIDADES AMAZÔNICAS
Estudos avançados em linguagens e culturas amazônicas: perspectivas interculturais na pesquisa e ensino de línguas, literaturas e humanidades

Banca Examinadora

MARIA DE JESUS MORAIS
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
MARIA DE JESUS MORAIS Docente - PERMANENTE
CLAUDIA PATRÍCIA DA CRUZ PEREIRA Participante Externo
HANDERSON JOSEPH Participante Externo
GERSON RODRIGUES DE ALBUQUERQUE Docente - PERMANENTE
ELDERSON MELO DE MIRANDA Docente - PERMANENTE

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
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