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Dados do Trabalhos de Conclusão

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
LETRAS- LINGUAGEM E IDENTIDADE (11001011003P0)
Narrada, imaginada, encenada e desviante: amazônia e discurso colonial em relatos de viajantes britânicos no século XIX
RAQUEL ALVES ISHII
TESE
25/07/2023

O objetivo desta tese é analisar como o espaço amazônico é construído em relatos de viagem de naturalistas britânicos do século XIX. A pesquisa é de cunho bibliográfico, tendo como fontes principais os relatos de viagem sobre a Amazônia dos naturalistas britânicos Alfred Russel Wallace (1822-1913), Henry Walter Bates (1825-1892) e Richard Spruce (1817-1893). Para tanto, buscou-se problematizar questões de linguagem e discurso, modernidade e colonialidade, discorrendo sobre construção do espaço amazônico em narrativas de viagem e de ciência enquanto um regime de verdade; relacionar imagens de floresta amazônica nos relatos de Alfred Wallace, Henry Bates e Richard Spruce, além de formas cartográficas de fabricação do espaço, evidenciando regularidades e exclusões promovidas por um saber dual e racializador; situar o papel da escrita ocidental, tendo como referência as operações de demarcação do espaço nos relatos de Alfred Wallace e Henry Bates, analisando seus procedimentos de inscrição, apropriação e encenação de um espaço-outro e; analisar de que modo o outro – espaço, corpo e saber – é constituído como desviante através do relato de Richard Spruce. Como ponto de partida teórico, no que diz respeito ao relato como construção espacial, sobre saber, discurso e escrita ocidental como fabricação, a operação historiográfica, espaço-outro, a pesquisa se fundamentou nas reflexões de Michel de Certeau (2011; 2014) e Michel Foucault (1979; 2007; 2008; 2020). De igual modo, dialogou-se com autores críticos da colonialidade e da racialização promovidas pelo eurocentrismo, tais como, Walter Mignolo (2017), Anibal Quijano (1989; 2018), Homi Bhabha (1998), Stuart Hall (2003; 2016), Mary Louise Pratt (1999), Ana Pizarro (2012) e Gerson Albuquerque (2016). A análise das obras permitiu observar que o saber dualizado e a racialização do espaço amazônico presentes na história natural e na cartografia, cristalizam, fixam a imagem de um espaço que é primitivo e não civilizado. A escrita moderna ocidental como prática discursiva se apropria, conquista e encena espaços por intermédio do uso de instrumentos que lhe são próprios: a ilustração/gravura, a fotografia, a transposição, a (re)citação, a tradução, a transcrição, dentre outros, estabelecendo as fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, entre o eu e o outro. Como modo de ordenamento de um saber, a racialização de espaços, corpos e saberes instituiu limites entre designações opostas ou contraditórias que convivem lado a lado, em justaposição.

Espaço-outro;Amazônia;Relatos de viagem;Século XIX
The aim of this thesis is to analyze how the Amazonian space is constructed in British naturalists' travel accounts of the 19th century. The research is of a bibliographic nature, having as main sources the travel reports about the Amazon from the British naturalists Alfred Russel Wallace (1822-1913), Henry Walter Bates (1825-1892) and Richard Spruce (1817-1893). To this end, we sought to problematize issues of language and discourse, modernity and coloniality, discussing the construction of the Amazonian space in travel and science narratives as a regime of truth; to relate images of the Amazon forest in the reports of Alfred Wallace, Henry Bates and Richard Spruce, as well as cartographic forms for producing the space, turning evident some those regularities and exclusions promoted by a dual and racializing knowledge; to situate the role of western writing, having as a reference operations of space demarcation in the reports of Alfred Wallace and Henry Bates, analyzing their procedures of inscription, appropriation and staging of an other-space; and finally, to analyze how the other – space, body and knowledge – is constituted as deviant through Richard Spruce's account. As a theoretical starting point, with regard to the report as a spatial construction, about knowledge, discourse and Western writing as an fabrication, the historiographical operation, space other, the research was based on the reflections of Michel de Certeau (2011; 2014) and Michel Foucault (1979; 2007; 2008; 2020). Likewise, dialogue was taken with authors who have been criticizing coloniality and racialization promoted by Eurocentrism, such as Walter Mignolo (2017), Anibal Quijano (1989; 2018), Homi Bhabha (1998), Stuart Hall (2003; 2016), Mary Louise Pratt (1999), Ana Pizarro (2012) and Gerson Albuquerque (2016). The analysis of the works allowed us to observe that the dualized knowledge and the racialization of the Amazonian space present in natural history and cartography crystallize, fix the image of a space that is primitive and uncivilized. Modern Western writing as a discursive practice appropriates, conquers and stages spaces through the use of its own instruments: illustration/engraving, photography, transposition, (re)quotation, translation, transcription, among others, establishing the boundaries between the known and the unknown, between the self and the other. As a way of ordering a knowledge, the racialization of spaces, bodies and knowledge established limits between opposing or contradictory designations that coexist side by side, in juxtaposition.
Other Space;Amazon;Travel reports;XIX century
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PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
O trabalho possui divulgação autorizada
Raquel Alves Ishii - Tese de Doutorado.pdf

Contexto

Linguagem e Cultura
CULTURAS, NARRATIVAS E IDENTIDADES AMAZÔNICAS
Estudos avançados em linguagens e culturas amazônicas: perspectivas interculturais na pesquisa e ensino de línguas, literaturas e humanidades

Banca Examinadora

JUCIANE DOS SANTOS CAVALHEIRO
DOCENTE - PERMANENTE
Sim
Nome Categoria
FRANCISCO BENTO DA SILVA Docente - PERMANENTE
Ana Irene Pizarro Participante Externo
JUCIANE DOS SANTOS CAVALHEIRO Docente - PERMANENTE
SERGIO ROBERTO GOMES DE SOUZA Participante Externo
JERONIMO DA SILVA E SILVA Participante Externo

Vínculo

Servidor Público
Instituição de Ensino e Pesquisa
Ensino e Pesquisa
Sim
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