O neoliberalismo escolar é um fenômeno que vem se consolidando com força nas últimas
décadas. Emaranha-se no universo da educação de modo a naturalizar-se, adequando os
horizontes pedagógicos às lógicas do mercado. Instituições educacionais são vistas como
empresas, estudantes como clientes/consumidores e a aprendizagem como uma mercadoria.
Nesta pesquisa, buscamos analisar o neoliberalismo escolar sob a perspectiva de uma psicologia
social critica, em especial, a luz da Análise Institucional e da Esquizoanálise. Propõe-se a
investigação deste fenômeno em cinco níveis de análise: (a) financeirização da educação; (b)
ethos empresarial; (c) mercantilização da educação; (d) balcão de negócios e (e) produção do
sujeito neoliberal. Nesse sentido, esta tese objetiva analisar os efeitos subjetivantes do
neoliberalismo escolar, com ênfase na captura neoliberal da educação “inovadora”. Em termos
de objetivos específicos, pretendeu-se: investigar os efeitos subjetivantes do neoliberalismo
escolar a partir do crescente movimento operado pelos grandes conglomerados educacionais;
analisar a produção do sujeito neoliberal, calcado na figura do empreendedor de si; visibilizar
como a captura neoliberal das metodologias pedagógicas e dos discursos das pautas sociais
opera no campo da educação. Após o capítulo introdutório, no segundo capítulo desta tese,
realizamos uma cartografia pautada na historicização do papel do empresariado no campo da
educação, evidenciando seus movimentos e transformações ao longo do tempo. Adentramos na
produção do ethos empresarial na educação, com ênfase na construção de um consenso a partir
de determinadas referências de educação de “qualidade”, com critérios específicos de eficiência
e gestão. Examinamos os múltiplos formatos da mercantilização da educação, evidenciando a
sua diversidade de formas, produtos e serviços. Em seguida, analisamos os movimentos do
balcão de negócios da educação, priorizando as investigações do setor de escolas privadas,
marcado pela concorrência e pela competição entre instituições educacionais, com destaque
para as aquisições e fusões de escolas dos grandes grupos em questão. No terceiro capítulo, a
pesquisa se desdobra sobre a produção do sujeito neoliberal – empreendedor de si – com
processos encarnados na confecção e direcionamento das apostilas de competências
socioemocionais. Problematizamos a formação de habilidades consideradas relevantes para o
mercado de trabalho flexível e precarizado, produzindo uma modulação subjetiva voltada para
o apassivamento dos estudantes. Já no quarto capítulo, analisamos os processos de
sobrecodificação capitalística das metodologias de ensino e dos discursos progressistas, por
meio de um levantamento de sites e redes sociais dos principais grupos empresariais atuantes
na educação brasileira hoje. Anunciaremos como a política de inovação neoliberal se atualiza
enquanto tática de controle subjetivo. As sedutoras propagandas da educação inovadora como
práticas suspostamente “libertadoras” coexistem com o constante processo de sucateamento e
privatização da educação. Assim, chegamos à questão central: como diferenciar uma educação
emancipadora e democrática de uma educação neoliberal, em tempos em que tudo parece ser o
mesmo?