MARQUES, M. Fadiga Mental e Exercício Intermitente de Alta Intensidade. 2023. 125 f.
Tese (Doutorado em Ciências) – Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São
Paulo, São Paulo. 2023.
A fadiga mental é um estado psicobiológico induzido por demanda cognitiva caracterizada por
esforço mental e falta de energia que tem sido associada a efeitos negativos no desempenho
físico durante o exercício contínuo. No entanto, no exercício intermitente de alta intensidade
(EIAI), poucos estudos analisaram tal interferência. Além disso, o estímulo de motivação
durante o exercício físico (por exemplo, ouvir música) poderia mitigar esses efeitos negativos.
Contudo, o conhecimento do efeito da música como agente motivacional no estado de fadiga
mental durante o desempenho de EIAI ainda é desconhecido. O objetivo do estudo 1 e do estudo
2 foi investigar os efeitos da fadiga mental e uma intervenção com estímulo musical sobre o
desempenho durante a EIAI. No estudo 1, sete adultos jovens fisicamente ativos do sexo
masculino (média ± desvio padrão; 30,3 ± 5,8 anos; 76,4 ± 6,8 kg; 175,1 ± 5,2 cm) participaram
de 3 condições experimentais: 60 minutos de Stroop teste seguido de EIAI; 60 minutos de teste
de Stroop seguido de EIAI ouvindo música; 60 minutos assistindo um documentário
emocionalmente neutro seguido do EIAI (8x15s na maior intensidade possível em
cicloergômetro contra uma resistência fixa de 9% de massa corporal intercalados por 120s de
recuperação passiva entre os esforços. Potência pico e média, índice de fadiga e trabalho total
foram aferidos neste estudo. No estudo 2, dez adultos jovens fisicamente ativos do sexo
masculino (média ± desvio padrão; 26,4 ± 4,4 anos; 73,0 ± 9,7 kg; 168,0 ± 5,7 cm) participaram
das mesmas 3 condições experimentais, contudo o modelo de EIAI compreendia 8x15s de
corrida na maior intensidade possível intercalados por 120s de recuperação passiva entre os
esforços. Distância percorrida por série e total, velocidade máxima, média e mínima foram
aferidas neste estudo. Em ambos os estudos, respostas psicológicas (percepção de fadiga
mental, percepção de esforço físico, índice de carga de trabalho) ao EIAI foram coletadas. Em
ambos os estudos a fadiga mental não provocou efeitos deletérios nas variáveis de desempenho
e nem na percepção subjetiva de esforço (p > 0,05 para todas as comparações). A percepção de
fadiga mental aumentou do momento pré para o pós Stroop teste em ambos os estudos (p <
0,001 para ambas as comparações). O índice de carga de trabalho também apresentou diferenças
estatísticas do momento pré para o momento pós Stroop teste (p < 0,05 em ambos os estudos
para as diferentes comparações). A música não afetou as variáveis de desempenho e
psicológicas. A fadiga mental parece não promover efeitos negativos na percepção subjetiva de
esforço e no desempenho em protocolos de EIAI baseado em cicloergômetro e baseado em
corrida adultos jovens fisicamente ativos. A música não alterou a percepção subjetiva de
esforço e o desempenho em protocolos de EIAI tanto em cicloergômetro quando em corrida
adultos jovens fisicamente ativos. Por fim, parece ser importante que mais dados sejam
coletados com a mesma população e com a música selecionada com critérios mais precisos.