O crescente número de casos de resistência microbiana, recidivas e ineficiência terapêutica de
alguns ativos, estimulam, cada vez mais, estudos em busca de novas alternativas terapêuticas.
Dentre estes sistemas de entrega, destaca-se a nanoemulsão, que neste estudo é composta por
óleo essencial de Lippia origanoides carreado pelo óleo fixo de Syagrus coronata, ambos com
potencial atividade, em destaque, contra bactérias e fungos. Este sistema pode, além de tornar
mais eficaz a ação, estabilizar, proteger, agregar especificidade e melhorar a potência destes
insumos farmacêuticos ativos vegetais. Para aplicação e ação tópica, veicula-se esta
nanoemulsão em uma espuma farmacêutica para facilitar a transposição da barreira cutânea,
favorecendo a penetração e permeação cutânea, refletindo no aumento da eficiência
farmacológica do insumo farmacêutico ativo. O objetivo deste estudo, de forma geral, é
desenvolver uma formulação fitoterápica nanoestruturada tópica com ação antimicrobiana e
composta por plantas oriundas da Caatinga. Para isso, procedeu-se com a extração do óleo
essencial por hidrodestilação, caracterizando fitoquimicamente, por cromatografia gasosa
acoplada ao espectrômetro de massa, os compostos majoritários. Em seguida, foi proposta a
formulação e otimização da nanoemulsão por método baixa energia através da técnica de
emulsificação espontânea. Na sequência, realizou-se a caracterização físico-química (aspecto,
pH, densidade, condutividade, viscosidade, índice de refração, tamanho médio da gotícula,
índice de polidispersão e potencial zeta) para posterior incorporação na espuma farmacêutica.
Esta espuma tópica também foi caracterizada fisicoquimicamente e, ambas as formulações, da
nanoemulsão e da espuma, foram, em triplicata, submetidas à estudo de estabilidade acelerada
para avaliar estabilidade do produto, tempo de vida útil e compatibilidade, avaliação
morfológica por microscopia eletrônica de transmissão, caracterização dos grupamentos
funcionais por Espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier e quantificação
do óleo essencial por espectrofotometria no ultravioleta e visível. Além disso, foram avaliadas
a performance das formulações através da permeação em células de Franz com membrana
sintética, avaliação da citotoxicidade em fibroblastos pelo ensaio Alamar Blue e atividade
antimicrobiana pelo método de microdiluição seriada em micropoços conforme recomendado
pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). Com tudo, obteve-se a
caracterização fitoquímica do óleo essencial da Lippia origanoides como quimiotipo B, cujo
composto majoritário é o carvacrol: 49,12%. As formulações da nanoemulsão e da espuma
fitoterápica tópica, foram obtidas dentro das características esperadas (tamanho da gotícula <
200nm, PdI <0,2) e com estabilidade garantida por quinze dias sob refrigeração e trinta dias
em temperatura ambiente, respectivamente. Em relação a microscopia eletrônica, confirmou-
se o tamanho médio obtido por espalhamento dinâmico de luz, a espectroscopia não
demonstrou interação entre os componentes da formulação e por espectrofotometria o teor
apresentou dentro da faixa pré-estabelecida com variação entre 90 e 110%. Diante dos
resultados, gerou-se um sistema carreador nanoemulsionado contendo o óleo essencial de
Lippia origanoides carreado pelo óleo fixo de Syagrus coronata, veiculado em uma espuma
tópica estável e com comprovada atividade antimicrobiana contra fungos (Microsporum
canis, Tricophyton tonsurans, Tricophyton mentagrophytes, Epidermophyton floccosum e
Candida albicans) e bactérias (S. aureus) estudados e, ainda, com melhoria na performance,
quanto a permeação em comparação com os óleos livres, e com citotoxicidade considerada
baixa (90μg/mL) para o óleo essencial. Conclui-se que, a espuma tópica, apresenta-se como
uma formulação fitoterápica antimicrobiana.