O avanço significativo da ciência e da tecnologia nas últimas décadas, tem influenciado
diretamente o modo de vida da sociedade. Neste cenário, é esperado da escola e do ensino de
Ciências importantes contribuições para que os cidadãos reconheçam a presença e o papel da
ciência e tecnologia em suas vidas e estabeleçam uma relação crítica com as mesmas. O
estudo relatado teve como objetivo sistematizar e analisar as contribuições ao ensino de
Ciências advindas da pesquisa nacional nos Anos Iniciais, que tiveram como foco as práticas
pedagógicas promotoras da alfabetização científica e tecnológica, tendo em vista contribuir
para subsidiar novos estudos, bem como, para a formação inicial e continuada de docentes no
segmento educacional. Do ponto de vista teórico, o estudo fundamentou-se em autores de
referência na temática (CHASSOT, 2003; 2011; LORENZETTI; DELIZOICOV, 2001;
KRASILCHIK; MARANDINO, 2007; SASSERON, 2008; 2015). O estudo configurou-se
como pesquisa qualitativa (MINAYO, 1994), de natureza bibliográfica e do tipo estado do
conhecimento (ROMANOWSKI; ENS, 2006). A técnica de análise de conteúdo proposta por
Bardin (2016) orientou a coleta, sistematização e análise dos dados, apoiados pelos elementos
potencializadores da alfabetização científica e tecnológica e apontados por Carvalho e
Sasseron (2008) e Pizarro e Lopes Junior (2015). Foram analisados 36 textos, havendo
predomínio de estudos gerados em mestrados acadêmicos, cujo foco recai, principalmente, no
último ciclo dos Anos Iniciais, isto é, no 4º e 5º ano. Quanto aos conteúdos envolvidos nos
estudos, houve predomínio de temáticas relacionadas ao meio ambiente e aos seres vivos. Em
relação às práticas pedagógicas promovidas no âmbito das pesquisas analisadas, observou-se
a utilização de atividades de cunho investigativo para atingir os objetivos de articulação dos
conhecimentos científicos e tecnológicos com a realidade vivenciada pelos estudantes, bem
como, para desenvolver habilidades de argumentação, percepção do sujeito social como um
sujeito ativo, coletivo e crítico, e que busca por uma formação cidadã. Os estudos apontam
como resultado do desenvolvimento das atividades promotoras da alfabetização científica e
tecnológica, algumas mudanças atitudinais por parte dos educandos, influenciadas,
principalmente, pela problematização e reflexão crítica sobre os conhecimentos em foco. Por
fim, as pesquisas revelam a histórica priorização dos componentes curriculares de Língua
Portuguesa e Matemática, em detrimento da educação científica e tecnológica e, um
distanciamento e desarticulação da alfabetização científica e tecnológica da alfabetização
linguística, áreas que poderiam ser mutuamente potencializadas.