A produção de zínia cv “Gigante da California” como flor de corte vem se destacando na América do Norte, com expectativas de crescimento no mercado brasileiro. A disponibilidade de água para as plantas é um dos fatores cruciais para a produção de flores de corte e o uso de técnicas como o déficit hídrico controlado tem se mostrado eficaz para maximizar a eficiência do uso da água. O Silício é um elemento não essencial, porém com efeitos bioestimulantes, e que vem sendo utilizado na agricultura para mitigar os efeitos causados pelo estresse hídrico. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar a produção, a qualidade e a longevidade pós-colheita de hastes florais de zínias, cultivadas em diferentes níveis de irrigação e doses de silicato de potássio (K₂SiO₃). Mudas de zínias foram cultivadas em casa de vegetação, entre novembro e dezembro de 2022, utilizando vasos de 8 L preenchidos com uma mistura de material de solo arenoso e esterco bovino (2,0:0,5). O experimento foi conduzido em blocos casualizados (DBC) em um esquema fatorial 4x4, com cinco repetições. Os níveis de irrigação corresponderam a 59%, 72%, 85% e 100% da necessidade hídrica da planta (NH), associados a 0, 75, 150 e 300 mg de Si por planta, na forma de silicato de potássio (K₂SiO₃), aplicadas com intervalos de sete dias, totalizando cinco aplicações. O manejo da irrigação foi realizado por meio do acionador automático, com o sensor instalado no tratamento correspondente à aplicação de 100% NH e dose de 300 mg de Si por planta (controle). Durante a condução do experimento foram avaliados os índices de clorofila a, b e total da fase inicial das mudas e outra no início da colheita. Durante a colheita foram avaliados o comprimento, número de folhas, diâmetro da haste e diâmetro da flor, área foliar, massa fresca da parte aérea e massa seca de flores, folhas e hastes, além da sua classificação quanto ao padrão comercial. No período pós-colheita foram avaliados a variação de peso fresco, taxa de absorção de água e escala de senescência, além dos teores de silício nas folhas e flores. O volume de água aplicado durante o experimento corresponderam aos níveis de irrigação de 3,3; 3,9; 4,4 e 5,2 L por planta. Entre os parâmetros de produção analisados, observou-se que a irrigação influenciou o comprimento das hastes, o diâmetro das flores e a massa fresca da parte aérea, com níveis mais altos de irrigação resultando em hastes mais longas, flores maiores e com maiores teores de biomassa. Além disso, as doses de 150 mg de Si por planta tiveram a maior produção de massa seca das folhas e flores. Houve também interação entre os tratamentos em relação ao diâmetro das flores e massa fresca da parte área, no entanto as doses crescentes de silício afetaram negativamente o diâmetro das flores, com doses mais altas de silício levando a flores menores. Além disso, a classificação das hastes mostrou que níveis mais altos de irrigação resultaram em mais hastes dentro do padrão comercial. Os resultados também indicaram interação entre os tratamentos nos teores de clorofila e na área folia. Foi observada uma interação significativa entre as doses de 150 mg de Si por planta e os níveis de irrigação de 4,4 L por planta nos teores clorofila b e clorofila total. O maior nível de irrigação (5,2 L por planta) resultou em maior área foliar, e foi constatada tendência geral de aumento na área foliar à medida que as doses de silício aumentaram, embora essa tendência não foi uniforme em todos os níveis de irrigação. Os níveis de irrigação influenciaram os teores de silício nas folhas de zínias, com concentrações mais altas de Si observadas à medida que os níveis de irrigação aumentaram, variando de 1,4 a 2,4%, enquanto as flores mantiveram uma concentração média de 0,5% de Si, independente do tratamento. A absorção de água e o peso fresco das hastes de zínias seguiram um padrão semelhante, com aumento inicial nas primeiras 24 horas pós-colheita, estabilidade por cerca de cinco a seis dias e perda subsequente de peso fresco. A longevidade comercial das hastes foi de 6,4 dias, sem diferença significativa entre os tratamentos, mas a longevidade total variou de 9,7 a 12,7 dias, com influência dos níveis de irrigação e um aumento significativo na longevidade nas plantas tratadas com 75 mg por planta de Si sob níveis de irrigação de 3,9 e 4,4 L por planta. De um modo geral, a reposição da necessidade hídrica das zínias resulta em maior produção e qualidade, enquanto a adição de silício no solo promove um aumento na área foliar e biomassa das hastes, embora doses mais elevadas possam causar uma redução no diâmetro das flores. No entanto doses mais baixas prolonguem a longevidade das hastes, destacando a necessidade de mais investigações quanto aos efeitos bioestimulantes do sílico na produção de flores.