Ninguém negaria que o diálogo entre a filosofia e a ciência é um dos empreendimentos que foi
visto ao longo da história das duas áreas. É este tipo de empreitada que se pretendeu neste
trabalho. Primeiramente, buscou-se examinar as dificuldades da filosofia utilitarista do filósofo
norte-americano Joshua Greene, defendida em sua obra Tribos Morais. Greene, valendo-se
tanto das ciências biológicas, quanto das ciências psicológicas, mostra os diferentes vieses
psicológicos que foram imputados nos seres humanos através dos processos evolutivos, como
o fato de sermos tribalistas (damos preferência a quem é do nosso grupo, em detrimento de
quem não é) e de que as nossas intuições têm, frequentemente, primazia em relação a uma outra
forma de pensar, que foi apontada, ao longo da história da filosofia, como oriunda da razão
humana, que é o nosso raciocínio deliberativo. A partir disso, ele traz uma solução utilitarista.
Aqui foi adotada a mesma estratégia, mas o que se concluiu foi diferente: a solução de Greene
não pareceu ser suficiente para lidar com a base biológica humana. Nos três primeiros capítulos,
levantou-se parcialmente diversos aspectos daquilo que poderíamos chamar de “natureza
humana”. Primeiramente, buscou-se mostrar a semelhança dos humanos com os outros animais
através daquilo que é entendido como “altruísmo”, fazendo-se um paralelo com o que
chamamos de “moralidade”. No segundo capítulo, apontou-se que é possível rastrear, na mente
e no cérebro humanos, alguns dos mecanismos responsáveis pelo nosso raciocínio moral, o que
mostra que a moralidade não está para além de nós (ou seja, que não a recebemos através de
uma divindade), mas que, na verdade, ela é fruto da nossa biologia em contato com a cultura.
No terceiro capítulo, mostrou-se diversos vieses cognitivos humanos: somos tendenciosos
quando se trata de justiça; idolatramos os nossos símbolos ideológicos em detrimento dos
próprios valores morais dessa mesma ideologia; a educação científica não soluciona o problema
do tribalismo, e os diferentes grupos políticos enxergam os seus valores como realmente
diferentes, não como uma mera questão de preferência. No quarto capítulo e na conclusão,
mostrou-se como a filosofia de Greene, que se apoia na “felicidade” como um meta-valor que
daria conta dos problemas grupais, não careceria de fundamentação para lidar com a nossa base
biológica construída pelos processos evolutivos.