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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
Filosofia (31002013031P7)
Educação Presencial
Tribalismo Político: O Problema da Solução Utilitarista para a Fundamentação Biológica da Moral
IAGO PEREIRA DA SILVA
DISSERTAÇÃO
08/03/2023

Ninguém negaria que o diálogo entre a filosofia e a ciência é um dos empreendimentos que foi visto ao longo da história das duas áreas. É este tipo de empreitada que se pretendeu neste trabalho. Primeiramente, buscou-se examinar as dificuldades da filosofia utilitarista do filósofo norte-americano Joshua Greene, defendida em sua obra Tribos Morais. Greene, valendo-se tanto das ciências biológicas, quanto das ciências psicológicas, mostra os diferentes vieses psicológicos que foram imputados nos seres humanos através dos processos evolutivos, como o fato de sermos tribalistas (damos preferência a quem é do nosso grupo, em detrimento de quem não é) e de que as nossas intuições têm, frequentemente, primazia em relação a uma outra forma de pensar, que foi apontada, ao longo da história da filosofia, como oriunda da razão humana, que é o nosso raciocínio deliberativo. A partir disso, ele traz uma solução utilitarista. Aqui foi adotada a mesma estratégia, mas o que se concluiu foi diferente: a solução de Greene não pareceu ser suficiente para lidar com a base biológica humana. Nos três primeiros capítulos, levantou-se parcialmente diversos aspectos daquilo que poderíamos chamar de “natureza humana”. Primeiramente, buscou-se mostrar a semelhança dos humanos com os outros animais através daquilo que é entendido como “altruísmo”, fazendo-se um paralelo com o que chamamos de “moralidade”. No segundo capítulo, apontou-se que é possível rastrear, na mente e no cérebro humanos, alguns dos mecanismos responsáveis pelo nosso raciocínio moral, o que mostra que a moralidade não está para além de nós (ou seja, que não a recebemos através de uma divindade), mas que, na verdade, ela é fruto da nossa biologia em contato com a cultura. No terceiro capítulo, mostrou-se diversos vieses cognitivos humanos: somos tendenciosos quando se trata de justiça; idolatramos os nossos símbolos ideológicos em detrimento dos próprios valores morais dessa mesma ideologia; a educação científica não soluciona o problema do tribalismo, e os diferentes grupos políticos enxergam os seus valores como realmente diferentes, não como uma mera questão de preferência. No quarto capítulo e na conclusão, mostrou-se como a filosofia de Greene, que se apoia na “felicidade” como um meta-valor que daria conta dos problemas grupais, não careceria de fundamentação para lidar com a nossa base biológica construída pelos processos evolutivos.

Greene. Vieses psicológicos. Utilitarismo
Nobody would deny that the dialogue between philosophy and science is one of undertakings that has been seen throughout the history of both areas. It is this type of endeavor that was intended in this work. We sought to examine the difficulties of the utilitarian philosophy of the American philosopher Joshua Greene, which was defended in his work Moral Tribes. Greene, making use of both sciences inserted in the biological areas, as well as sciences inserted in the psychological areas, shows the different psychological biases that were imputed in human beings through evolutionary processes (selection, mutation, heredity and genetic drift), such as the fact that we are tribalists (we give preference to those who belong to our group, to the detriment of those who are not) and that our intuitions often take precedence over another way of thinking, which has been pointed out throughout the history of philosophy, as coming from human reason, which is our deliberative reasoning. From there, he brings his utilitarian solution. Here the same strategy was adopted, but what was concluded was different: Greene's solution did not seem to be sufficient to deal with the human biological basis. In the first three chapters, several aspects of what we could call “human nature” were partially raised. First, we sought to show the similarity of humans with other animals through what is understood as “altruism” when seen in other animals, making a parallel with what we call “morality”. In the second chapter, it was pointed out that it is possible to trace, in the human mind and brain, some of the mechanisms responsible for our moral reasoning, showing that morality is not beyond us (that is, that we do not receive it through a deity), but which is actually the result of our biology in contact with culture. In the third chapter, several human psychological biases were evidenced: we are biased when it comes to justice; we idolize our ideological symbols to the detriment of the moral values of that same ideology; science education does not solve the problem of tribalism, and different political groups see their values as truly different, not merely a matter of preference. And, in the fourth chapter and conclusion, it was shown how Greene's philosophy, which is based on "happiness" as a meta-value that would deal with group problems, does not seem to be enough to deal with our biological basis built by evolutionary processes.
Greene. Psychological biases. Utilitarianism
1
107
PORTUGUES
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO
O trabalho não possui divulgação autorizada

Contexto

FILOSOFIA
SUBJETIVIDADE, ÉTICA E POLÍTICA
Levando o pluralismo a sério: a teoria ética nas democracias contemporâneas

Banca Examinadora

WALTER VALDEVINO OLIVEIRA SILVA
DOCENTE - COLABORADOR
Sim
Nome Categoria
WALTER VALDEVINO OLIVEIRA SILVA Docente - COLABORADOR
EDIOVANI ANTONIO GABOARDI Participante Externo
MARCELO DE ARAUJO Participante Externo

Financiadores

Financiador - Programa Fomento Número de Meses
FUND COORD DE APERFEICOAMENTO DE PESSOAL DE NIVEL SUP - Programa de Demanda Social 24

Vínculo

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Sim
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