Introdução: O cateter venoso de inserção periférica (CCIP) é um dos cateteres muito
utilizados na oncologia, uma vez que este dispositivo está inserido em protocolos de
quimioterapia seja pra infusões prolongadas ou para via de administração de drogas
vesicantes que necessitam de acessos profundos de longa permanência. Em virtude dessa
questão, formulou-se a pergunta de pesquisa: a técnica de punção guiada por USG utilizada na
inserção do CCIP é custo-efetiva, quando comparada à técnica de punção às cegas e à técnica de
fluoroscopia, para a redução de complicações relacionadas ao cateter? Método: Trata-se de uma
análise econômica completa, que avaliou o custo-efetividade da técnica de inserção do cateter
central de inserção periférica guiada por ultrassom comparada às técnicas convencional e por
fluoroscopia. O método é quantitativo, sendo a fonte de dados extraídas do mundo real, a
partir da consulta ao banco de dados da comissão de controle de infecção hospitalar, dos
dados inseridos na intranet da instituição e bancos de dados públicos em saúde. A população
do estudo foi composta por pacientes adultos matriculados na oncologia ou hematologia que
foram submetidos à inserção do CCIP durante o período de janeiro de 2016 a dezembro de
2020. O estudo foi realizado no Instituto Nacional do Câncer pertencente ao Ministério da
Saúde que é norteador da política de câncer no Brasil. Foram analisados os dados referentes
aos 227 pacientes oncohematológicos adultos de ambos os sexos, maiores de 18 anos e sem
limite superior de idade, matriculados na oncologia ou hematologia que foram submetidos à
inserção do CCIP. Para estimar a magnitude do efeito das intervenções analisadas, foram
estimadas a Razão de Chance (OR) de complicações acontecerem, comparando, 1º) a técnica
convencional (punção às cegas) com a técnica de punção guiada por USG; 2º) a técnica
convencional com a punção guiada por fluoroscopia e, 3º) a punção guiada por USG com a
punção guiada por fluoroscopia. Realizou-se a regressão logística de Poisson para obter o p
valor do comparativo das técnicas e avaliação das complicações. A análise de custoefetividade
com a árvore de decisão foi realizada com o auxílio do software TreeAge Pro
versão 2022. Resultados: Os resultados demonstraram que 24,3% dos pacientes que foram
submetidos à técnica convencional apresentaram complicações, 30,4% apresentaram
complicações pela técnica de fluoroscopia e 21,5% pela técnica com a utilização dom
ultrassom (USG). Após a Roll back da árvore de decisão, utilizada com o auxílio do software
TreeAge, versão 2022, foi possível constatar que a efetividade da técnica por fluoroscopia foi
de 70% a um custo de R$2.101,95. Em relação ao custo-efetividade incremental a técnica de
inserção por USG se mostrou superior a convencional (RCEI abaixo da disposição de pagar).
Através da curva de aceitabilidade, foi possível constatar que a partir do ponto Q
(R$2.750,00), a técnica com USG, passa a ter maior probabilidade de ser custo-efetiva em
relação à convencional. Conclusão: Considerando uma disposição de pagar de R$ 40.000, o
modelo sugeriu que a alternativa custo-efetiva, dentre as comparadas, é a técnica de inserção
por ultrassom.