O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos a nível mundial. O uso desses
compostos químicos na agricultura ocasiona graves problemas ao meio ambiente, como
contaminação de águas superficiais, subterrâneas e mananciais usados no abastecimento de
água potável. O objetivo deste estudo foi avaliar o percentual de degradação dos agrotóxicos
atrazina, clorpirifós, malationa, trifluralina, lambda-cialotrina, clorotalonil e trifloxistrobina em
água superficial, na concentração de 1ng mL-1. A metodologia baseia-se em um sistema de
oxidação química com aplicação de ozônio na concentração de 2000mg h-1, nos tempos de
reação de 5, 10, 15, 20, 25, 30, 60, 90, 120 e 150 minutos, de acordo com o perfil de degradação
de cada analito. Para a extração dos agrotóxicos em água, foram feitos experimentos de
otimização e validação, por extração em fase sólida e posterior análise qualitativa e quantitativa
por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, para verificar o percentual de
degradação dos agrotóxicos. Em sequência, foi realizado um ensaio de toxicidade aguda com
Artemias salinas, para verificar se as amostras apresentavam toxicidade mesmo após a
ozonização. Como resultados, foram observados limites de detecção entre 0,011 e 0,164 ng mL-
1 e de quantificação entre 0,050 e 0,498 ng mL-1 para o método de análise de agrotóxicos em
água. A degradação por ozonização, atingiu 100% para os agrotóxicos atrazina, clorpirifós,
malationa, trifluralina e lambda-cialotrina, em até 20 minutos de reação, sendo consideradas
como “não tóxicas” para Artemias salinas. Trifloxistrobina atingiu 100% de degradação em
120 minutos de reação e clorotalonil teve o percentual máximo de degradação fixado em 84%
em um tempo de 150 minutos. O ensaio de toxicidade da trifloxistrobina e do clorotalonil,
considerou as amostras como “tóxicas” para Artemias salinas. Os resultados da cinética de
degradação corroboraram com o ensaio de toxicidade aguda.