Esta tese apresenta alguns questionamentos, os quais ajudam a compreender o processo de aprendizagem no ensino de ciências por investigação articulado à metodologia das aulas de campo, buscando responder à seguinte pergunta de pesquisa: como introduzir elementos do ensino de ciências por investigação em uma aula de campo, com alunos do Ensino Médio, com vistas a propor uma prática pedagógica? Para responder a tal questão, o estudo visa a analisar o desenvolvimento de aulas de campo no Instituto Nacional da Mata Atlântica, à luz do ensino de ciências por investigação, propondo relações de congruências de modo a avançar na construção de uma proposta didática. O referencial teórico centra-se em algumas bases epistemológicas sobre o ensino de ciências, com vistas a defender que esse modo de ensinar, por meio da metodologia pedagógica das aulas de campo em diálogo com o ensino de ciências por investigação, favorece avanços na Alfabetização Científica. Para a organização das atividades de ensino, desenvolveu-se uma sequência de atividades investigativas em aula de campo (SAIAC), sobre ecologia, com foco em sucessão ecológica. Trata-se de um estudo qualitativo do tipo pesquisa participante, realizado com estudantes pertencentes às três séries do Ensino Médio em duas escolas da rede estadual de ensino, localizadas no município de Fundão e Santa Teresa/ES/Brasil, respectivamente. A aula de campo, para as duas escolas, foi realizada no Instituto Nacional da Mata Atlântica-INMA. Foram utilizadas, na produção dos dados, as anotações em diário de campo da pesquisadora, o material textual produzido pelos estudantes e a transcrição dos áudios gravados durante o transcurso das atividades. Os dados analisados decorreram das atividades empreendidas na escola de Fundão, ancorada na análise de conteúdo. Para verificar a viabilidade da utilização/adaptação dos três momentos: pré-campo, campo e pós-campo incorporados às etapas de uma sequência de ensino investigativa (SEI), utilizaram-se as etapas desenvolvidas na SAIAC (sensibilização, experimentação e elaboração). Para identificar os indicadores de Alfabetização Científica, as categorias que fundamentaram a abordagem dos dados foram aquelas propostas por Sasseron e Carvalho (2008;2011) e para verificar se a proposta pedagógica favoreceu a aprendizagem, utilizaram-se os objetivos de aprendizagem presentes na sequência de atividades investigativas em aula de campo. Os resultados apontaram para a consolidação da proposta, corroborados pelos resultados da análise. A prática pedagógica pode aproximar os estudantes da metodologia científica, estreitando a distância entre o ensino de ciências da educação básica e do conhecimento científico em espaços extraescolares, bem como mobilizar processos para Alfabetização Científica. No transcurso da pesquisa, não foi ignorado o processo de prototipagem do produto educacional (PE), razão pela qual a SAIAC foi replicada. Tendo em vista a possibilidade de a prática ser utilizado por outros docentes, visando a garantir a replicabilidade em outros contextos escolares, optou-se por um handbook como forma de materialização do PE, denominado Ensino de Ciências por Investigação em Aulas de Campo: orientações para professores da educação básica.