O presente trabalho tem como objetivo analisar o romance Torto arado
(2019), escrito pelo brasileiro Itamar Vieira Junior, a fim de destacar as funções exercidas
pelas três narradoras da obra, problematizando questões em torno da representação, da
subalternidade e da polifonia. Nossa abordagem analítica está pautada, em especial, pela
perspectiva temática dos Estudos Culturais, tendo como foco os estudos da subalternidade
sob os pontos de vista de Hall, Mignolo, Rodriguez, Spivak, entre outros autores, buscando
compreender o nível de consciência ou como sujeito subalternizado está representado pelas
vozes delineadas no romance. Assim, valemo-nos de análises intertextuais, partindo do
pressuposto de que, por mais que o romance concentre em si questões sociais, a obra
literária é um mundo. Por fim, nossa perspectiva metodológica está vinculada às das
correntes críticas, em especial, à da crítica imanente e à sociocrítica, destacando,
sobretudo, o conceito de polifonia de Bakhtin, em vista de compreender o desenrolar
narrativo por meio das configurações emitidas pelas três vozes presentes no discurso do
livro em tela, bem como pelas questões do dialogismo, da inconclusão e da carnavalização,
aspectos pertinentes à polifonia baktiniana. Espera-se com esta pesquisa demonstrar as
concepções subalternas presentes no objeto de estudo, bem como o fluxo de consciência
por meio do coral de vozes que regem o universo narrativo, no qual as personagens
identificam seu status social e passam a atuar ativamente para modificá-lo.