A radioterapia pode ser dividida em duas modalidades: a braquiterapia e a teleterapia, sendo a última, a técnica mais difundida. Os equipamentos de teleterapia são capazes de produzir feixes de fótons ou elétrons que saem do equipamento em direção ao paciente posicionado sobre a mesa de tratamento. Para garantir que o campo de irradiação forneça a dose correta e que os feixes produzidos incidam apenas na região de interesse, é necessário uma série de testes de controle de qualidade realizados sobre os equipamentos, sendo uma parte destes testes executados por meio de equipamentos específicos de dosimetria: um conjunto dosimétrico (câmara de ionização e eletrômetro), além de um simulador (fantoma) cheio de água que simula a interação do feixe com o corpo humano. Depedendo da quantidade de energias que o acelerador linear pode produzir, e considerando que o controle de qualidade deve ser realizado periodicamente sobre cada uma das energias disponíveis no equipamento, o processo todo acaba por se tornar demasiadamente lento e moroso, quando se utiliza um simulador de acionamento manual comparado a um equipamento automatizado. Os equipamentos automatizados disponíveis no mercado atualmente são de alto custo e importados, aqueles que possuem um preço mais em conta são dispositivos que realizam o movimento automatizado apenas na direção vertical, o que não resolve de todo o problema, pois nas avaliações de perfil dos feixes, por exemplo, é necessário o deslocamento horizontal da câmara de ionização levando ao processo manual novamente. Assim, este trabalho procurou desenvolver um sistema simulador automatizado, tanto na direção vertical quanto na horizontal, de baixo custo, utilizando como base de desenvolvimento placas microcontroladoras open source (plataforma Arduino). Os testes realizados no equipamento desenvolvido, demonstraram sua capacidade de realizar os movimentos das duas direções posicionando a câmara de ionização na posição desejada, com uma precisão na ordem de décimos de milímetro, equivalente aos equipamentos importados de preço mais elevado, sendo o mecanismo telecomandado por uma central que fica posicionada fora da sala de tratamento, visto que o objetivo é fazer com que o operador não entre na sala durante o procedimento. E espera-se ainda, em um trabalho futuro, desenvolver um software que em conjunto com o equipamento, seja capaz de realizar o processo de varredura do feixe de radiação, o que tornaria este equipamento equivalente aqueles que hoje são disponíveis apenas por importação e de custo elevado chegando seu valor na ordem de U$ 100.000,00 (cem mil dólares), como o Blue Phantom (IBA) ou o BeamScan (PTW).