Em contraposição ao esporte “na” escola, abordagens pedagógicas da Educação Física Escolar
emergem, trazendo preocupações com o ser humano em toda a sua integralidade. Afinal, a
transformação pedagógica do esporte para o ambiente escolar – esporte “da” escola – se faz
importante, conclamando para a necessária formação reflexiva de seus professores, em um
processo de narração, reflexão e escuta. Ademais, outras práticas corporais, para além da
esportiva, precisam estar presentes, a fim de se incluir e não de se segregar. De caráter
qualitativo, esta pesquisa analisa diferentes registros. Tratou-se de um Estudo de Caso que
envolveu a formação e a gestão de uma Comunidade Virtual de Prática de professores de
Educação Física – em relação com o aprendizado de saberes e de práticas pedagógicas alinhados
aos estudos sobre Corporeidade Humana – que se mostrou um meio de socialização e de
manifestação do pensamento coletivo, partindo de narrativas digitais enquanto instrumento
investigativo e formativo, as quais foram analisadas e interpretadas por meio de análise de
conteúdo, uma vez revelando singularidades próprias dos sujeitos, incluindo formas de pensar
e de agir, que puderam direcionar a formação docente desenvolvida. Procedimentos de coleta
diversos foram utilizados, como Revisão Bibliográfica, Narrativas Digitais, Observação
Sistemática, Questionários Eletrônicos e Análise Documental, com cruzamento dos dados. A
comunidade desta pesquisa, ora formada, por exemplo, por meio da presença de um esforço
endógeno, cooperativo e solidário, dentre outras características, apresentou-se como apoio à
geração de conhecimentos, de habilidades e de atitudes pedagógicas, bem como de
conhecimentos e de habilidades científico-pedagógicas, que puderam ser compartilhados a
partir de uma abordagem reflexiva e colaborativa. Saberes científicos também foram
partilhados, entrando em circulação, ambos apontando para a formação de uma Comunidade
Virtual Aprendente. Diversos foram os níveis de participação observados a partir da produção
e do compartilhamento das narrativas digitais, considerando características como tipos,
configurações e quantidade de diferentes mídias utilizadas, com destaque para cinco
professores. Entretanto, dados como falas, comentários e postagens tiveram que ser, ainda,
considerados, para averiguar a presença de membros centrais e de membros periféricos em seu
interior. Foram doze membros que se caracterizaram como membros centrais, dezessete como
membros periféricos e quinze sem nenhum tipo de participação, ficando totalmente à margem
do processo formativo. Oportunidades de aprendizagem aos novatos da comunidade de
professores também foram verificadas, os quais participaram, ainda, por meio de falas e de
comentários, bem como a reflexividade de todos os participantes, em especial, dos experientes
da comunidade de professores, que puderam rever práticas do passado. Instrumentalizar
professores a partir de uma formação reflexiva e colaborativa, partindo de suas vivências e
dialogando saberes científicos com aqueles que emanam do próprio contexto de trabalho, em
uma Comunidade Virtual de Prática, mostrou-se fundamental, gerando desenvolvimento
docente e contribuindo para a formação de uma nova cultura: a do refletir, de maneira
permanente e conjunta, sobre as experiências da docência, das quais fazem parte os trabalhos,
as frentes, ações, inovações, pesquisas e observações realizadas no ensino ou mesmo na área,
como também os desafios ou dificuldades, as conquistas e superações obtidas.