A problemática ambiental e a sustentabilidade são temas relevantes no debate educacional contemporâneo, tanto como políticas curriculares, as quais correspondem aos conteúdos e objetivos de ensino, quanto em relação às propostas formativas inicial e continuada de docentes. Nas últimas décadas foi possível acompanhar o desenvolvimento e o amadurecimento de várias tendências, correntes ou proposições educativas associadas a tais assuntos na educação formal, e, em especial, no ensino de ciências: a Alfabetização Científica e Tecnológica, a Educação CTS (ciência, tecnologia, sociedade) – posteriormente CTSA (ciência, tecnologia, sociedade, ambiente) –, a Química Verde, e a própria Educação Ambiental. Reunidas, estas e outras perspectivas compõem o que é chamado de Educação para a Sustentabilidade. Assim sendo, a partir da necessidade de compreender como este conjunto de aportes repercute na formação inicial de docentes, e considerando a Química componente curricular central para o entendimento das relações entre sociedade e ambiente, esta pesquisa objetiva identificar e descrever de que modo a Educação para a Sustentabilidade é apresentada nos cursos de Licenciatura da área, no estado do Paraná. Portanto, trata-se de uma investigação de natureza qualitativa e documental, caracterizada como exploratória e descritiva. Para a realização deste estudo, foram focalizados 22 cursos e seus acervos documentais (projetos pedagógicos e matrizes curriculares). Os dados se constituíram com base nos pressupostos da Análise Textual Discursiva, visando a recomposição na forma de metatextos, os quais sintetizam e expõem um panorama a respeito do tema e abrem novas possibilidades de investigação. As análises sugerem que a Educação para a Sustentabilidade, enquanto perspectiva formativa, representa ser uma espécie de reprodução do que consta em documentos hierarquicamente superiores, como as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Química e as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental, fundamentação espelhada dos referenciais teóricos já citados, especialmente na concepção de cidadania e, por último, em proposições sobre as posturas e as práticas pertinentes à docência. Essas manifestações se fazem presentes nos cursos analisados, embora em muitos deles se encontrem em um processo de transição e acolhimento de tais concepções.